SBT aposta no legado de Silvio Santos para conquistar novas verbas publicitárias

Em apresentação ao mercado, emissora anuncia 13 territórios de conteúdo, amplia oferta digital e propõe projetos comerciais que integram televisão, entretenimento e marcas

Ivo Aguirra

23.10.2026

SBT aposta no legado de Silvio Santos para conquistar novas verbas publicitárias

O SBT quer transformar a popularidade construída por Silvio Santos em uma vantagem competitiva na disputa pelas verbas publicitárias de 2027. Durante o UpUpshow Business, realizado nesta ultima quinta-feira (22), em São Paulo, a emissora apresentou uma nova estratégia comercial baseada em 13 territórios de conteúdo, projetos desenvolvidos com anunciantes e ampliação de sua presença digital.

A mudança altera a maneira como o SBT pretende negociar com o mercado. Além dos espaços tradicionais de publicidade, a emissora passa a oferecer propriedades temáticas que podem circular por programas, quadros, games, jornalismo, redes sociais e plataformas de vídeo. A proposta é desenvolver ações a partir dos objetivos de negócio dos anunciantes, aproveitando a audiência e a familiaridade de seus apresentadores com o público.

Aos 45 anos, o SBT procura atualizar o modelo comercial que ajudou a consolidar sua presença na televisão brasileira. Sob o comando de Daniela Abravanel Beyruti, a emissora aposta na relação com as famílias para ampliar sua participação em um mercado no qual televisão, streaming, influenciadores e plataformas digitais disputam os mesmos investimentos.

“Estamos entusiasmados com as oportunidades de negócios estruturadas para abraçar os anunciantes que buscam associar suas marcas a uma agenda positiva, legítima e de grande alcance. É um ativo de confiança e afeto construído ao longo de mais de quatro décadas, que só o SBT tem e que agora ganha formatos ainda mais modernos para o mercado”, afirmou Daniela.

Treze territórios para aproximar marcas e consumidores

A nova oferta foi detalhada por Marcela Marchi, diretora de Negócios Multiplataforma do SBT. A executiva apresentou três frentes de atuação: os ativos já disponíveis, as propriedades que serão incorporadas ao portfólio e os projetos criados em parceria com agências e anunciantes.

Dos 13 territórios anunciados, seis foram apresentados em detalhes: Decola Grana, dedicado à educação financeira; Tem Agro em Todo Lugar, sobre agronegócio e sua presença no cotidiano; Poder IA, voltado às aplicações práticas da inteligência artificial; Linda Casa Linda, com conteúdos sobre casa e decoração; Dá, Dá, Dá, dedicado ao empreendedorismo; e Que Lindeza!, sobre beleza, autoestima e bem-estar.

Os temas poderão ganhar diferentes formatos dentro e fora da programação. Para as marcas, a estrutura abre possibilidades de patrocínio, branded content e ações personalizadas, com presença em diferentes momentos de consumo de mídia.

“Queremos criar projetos que despertem interesse, mobilizem as pessoas e entreguem resultados para os anunciantes em todas as nossas plataformas. Tudo isso respeitando o DNA do SBT, que sempre soube transformar conversas em oportunidades de negócio, assim como nosso fundador”, declarou Marcela.

A aplicação prática foi demonstrada por Patrícia Abravanel e Celso Portiolli, que apresentaram o Decola Grana. O projeto pretende levar educação financeira ao público por meio de games, histórias, dicas e conteúdos informativos.

Entre os formatos mencionados estão ações no Domingo Legal, participações no Programa Silvio Santos, conteúdos no SBT News e inserções nos intervalos. O Show do Milhão também foi citado como possibilidade para abordar o tema.

A iniciativa cria oportunidades para bancos, fintechs, seguradoras e plataformas de investimento, que poderão associar suas marcas a conteúdos financeiros apresentados em linguagem popular.

YouTube, streaming e novos formatos comerciais

A expansão digital ocupa uma posição importante na estratégia. O SBT anunciou o SBTube, marca que reúne sua operação no YouTube, formada por mais de 50 canais e 132 milhões de inscrições, segundo dados divulgados pela emissora.

A estrutura amplia as possibilidades de distribuição e comercialização de vídeos, permitindo que conteúdos televisivos alcancem outras audiências e recebam novas ações publicitárias.

Daniela Beyruti também destacou a presença de produções do SBT em plataformas de streaming, citando novelas que chegaram ao Top 10 da Netflix. O desempenho foi apresentado como exemplo do potencial de circulação de conteúdos originalmente produzidos para a TV aberta.

Outra novidade foi o lançamento do SBTem, plataforma de comunicação identificada pelo conceito “SBTem, é o SBTudo no SBTodo”. A iniciativa reunirá manifestos, vinhetas, jingle e formatos personalizados para apresentar as diferentes possibilidades comerciais da emissora.

O evento também antecipou mudanças na programação de 2027, incluindo uma nova revista eletrônica matinal, alteração de horário do Programa do João, retorno das novelas brasileiras e reformulação do Roda a Roda.

A disputa vai além da audiência

A reorganização comercial do SBT acompanha a busca das emissoras abertas por novas fontes de receita diante da concorrência das plataformas digitais. O modelo apresentado procura combinar alcance nacional, conteúdos de interesse do público e projetos desenvolvidos de acordo com as necessidades dos anunciantes.

Para agências e marcas, a proposta amplia as alternativas de planejamento e integração entre mídia e entretenimento. O desafio estará na execução: transformar os territórios anunciados em produtos comerciais com formatos definidos, distribuição coordenada e indicadores capazes de demonstrar resultados.

A adesão dos primeiros anunciantes e a capacidade de mensurar as entregas entre televisão e digital serão os principais testes dessa estratégia.

Silvio Santos construiu um modelo de televisão que soube aproximar entretenimento, audiência e vendas. Agora, Daniela Beyruti tenta adaptar essa fórmula a um mercado no qual o alcance continua valioso, mas já não garante sozinho a preferência dos anunciantes.

O SBT tem o reconhecimento popular. Resta mostrar quanto esse patrimônio pode render na disputa pelos investimentos publicitários de 2027.

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