Sem exercer a medicina, médico cria negócio de tráfego pago para consultórios e mira R$ 8 milhões em receita

Com 500 clientes ativos, a MNG escala no mercado de marketing de performance, expande serviços de gestão e aposta em modelo com receita variável

Adnews

05.11.2026

Sem exercer a medicina, médico cria negócio de tráfego pago para consultórios e mira R$ 8 milhões em receita

O médico goiano João Amorim nunca atendeu um paciente como profissional formado. Antes mesmo de concluir as 60 horas semanais do internato e pegar o diploma na faculdade de medicina, ele já havia encontrado outra aplicação para sua rotina dentro do setor de saúde: o empreendedorismo focado em marketing digital.

Fundada ainda durante a graduação, a MNG (Médico no Google), nasceu focada estritamente em compra e gestão de mídia digital para profissionais da saúde. O modelo direto e especializado impulsionou a empresa para um faturamento de R$ 6,1 milhões e, para este ano, a projeção é alcançar a marca de R$ 8 milhões, um avanço de 31,1%.

Para Amorim, a virada de chave no modelo tradicional da profissão decorre de uma mudança estrutural no ecossistema médico, no qual o volume crescente de novos profissionais acirrou a concorrência por pacientes.

“O médico perdeu aquela coisa da carreira de entrar no consultório, atender, as indicações começarem a fluir e a vida seguir. Hoje o pessoal está muito mais pressionado no início da carreira”, afirma Amorim, fundador e CEO da MNG.

Nicho focado e transição de carreira

A oportunidade no setor começou a se desenhar de forma despretensiosa. Para levantar uma renda extra enquanto cursava a graduação, Amorim trabalhou na gestão de campanhas de tráfego pago para um colega. Com o aprendizado prático, ofereceu o serviço gratuitamente como teste para uma de suas professoras na faculdade.

Ao constatar a eficácia da captação de pacientes por meio de plataformas como Google, Meta (Instagram e Facebook), TikTok e LinkedIn, o negócio começou a escalar rápido. Perto da formatura, com 150 contratos ativos e receita anual ultrapassando R$ 2 milhões, veio a decisão estratégica de trocar definitivamente o jaleco pela gestão do próprio negócio.

Atualmente, a carteira da MNG conta com cerca de 500 clientes ativos espalhados pelo Brasil com maior concentração nos grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre, além de operações internacionais no Panamá, Peru e Portugal.

Atração pelo ticket médio e expansão do público

As especialidades médicas focadas em procedimentos estéticos e de alto valor agregado continuam sendo o grande motor das campanhas, pois o retorno financeiro por paciente viabiliza investimentos mais altos em aquisição de mídia:

  • Cirurgia plástica

  • Dermatologia

  • Cirurgia vascular

  • Transplante capilar

No entanto, novos perfis de médicos passaram a procurar os serviços da agência. Entre eles estão profissionais veteranos que viram suas cartelas de clientes tradicionais definharem e médicos de especialidades afetadas por transformações de mercado.

Novo modelo de remuneração e ecossistema de negócios

Para bater a meta de R$ 8 milhões sem comprometer a qualidade do atendimento, mantendo o acompanhamento próximo dos fundadores, a MNG não planeja apenas multiplicar o volume da carteira de clientes. A meta é crescer a quantidade de novos contratos entre 10% e 15%, enquanto a outra metade da expansão virá do ganho de eficiência no modelo de receita.

A empresa introduziu contratos que combinam a taxa fixa mensal a um percentual de remuneração variável atrelado aos resultados de faturamento ou volume de cirurgias geradas pelas campanhas.

Além da gestão de tráfego pago, o empresário tem diversificado sua atuação na tese de que médicos demandam cada vez mais soluções corporativas completas:

Renesse Clinic: Clínica própria focada em transplante capilar, prevendo faturamento de até R$ 2 milhões neste ano.

CFO de Consultório: Sociedade em empresa voltada para gestão e inteligência financeira na área da saúde.

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