Streaming e Cena Independente: Mercado da Música Rumo a US$ 110 Bilhões
Previsões de crescimento da indústria musical até 2032 são impulsionadas por artistas autônomos, que buscam profissionalização para superar o desafio das 'eu-quipes'
19.11.2025

O mercado global da música deve atingir cerca de US$ 110 bilhões em receitas até 2032, segundo o relatório "Global Music Forecasts" da MIDiA Research. Este crescimento é atribuído, em grande parte, ao avanço do streaming e ao fortalecimento da cena de artistas e gravadoras independentes. A Mordor Intelligence reforça esse cenário, projetando que o mercado artístico independente terá uma valorização de 6,4% ao ano até 2030, consolidando-se como uma força estratégica na renovação da indústria.
No entanto, a sustentabilidade das carreiras autônomas é um desafio central, pois a vocação precisa ser equilibrada com as demandas operacionais. Artistas emergentes frequentemente se tornam "eu-quipes", responsáveis por todo o ciclo de produção, do arranjo e masterização ao registro legal, marketing e lançamento nas plataformas digitais. O processo exaustivo coloca a profissionalização em xeque.
É nesse contexto que a especialista em produção executiva e artística Thainá Pitta estruturou o projeto 'Independentes'. A iniciativa oferece suporte para que autores estruturem suas carreiras, provendo serviços de produção executiva, assessoria de imprensa, marketing, styling, direção cênica, suporte jurídico e gestão de redes sociais, de forma personalizada. O objetivo é assegurar a etapa técnica da carreira, mantendo os criadores focados no processo criativo.
"Percebi que muitos artistas precisavam de uma estrutura que lhes permitisse crescer de forma consistente, sem perder a liberdade criativa", explica Thainá Pitta. Ela observou que artistas autônomos frequentemente acumulam funções como social media, bookers e assessores, um processo que gera sobrecarga. O projeto 'Independentes' busca conciliar autonomia artística com profissionalismo e resultados.
Com experiência em eventos como AFROPUNK, Coala Festival, Rio2C e The Town, Thainá Pitta aponta a falta de investimentos do setor na cena independente, que muitas vezes permanece à margem do mainstream e dos grandes festivais. O projeto 'Independentes' oferece uma estrutura completa para o desenvolvimento de carreira, produção de conteúdo e estratégias de lançamento, atuando com clientes do Sudeste ao Nordeste do país.
A especialista defende que iniciativas como essa são cruciais para evitar o "burnout criativo" e para oferecer alternativas acessíveis e tecnicamente qualificadas para artistas em processo de profissionalização. Em um mercado impulsionado por criadores independentes, a estratégia, a constância e um plano de carreira sustentável se tornaram requisitos para o sucesso, indo além da simples visibilidade nas plataformas de streaming.
O impacto nos artistas é notável: com orientação, eles constroem carreiras mais estruturadas e sustentáveis, evitando que hits pontuais caiam no esquecimento. A iniciativa reforça a necessidade dos profissionais de backstage, que são essenciais para a renovação contínua da indústria musical.
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