Streaming entra em fase de consolidação
Após expansão acelerada, setor aposta em publicidade, esportes e fusões para sustentar crescimento e enfrentar estagnação de assinantes
11.02.2026

Após um ciclo acelerado de expansão, o mercado de streaming entrou em uma fase de acomodação e reconfiguração. O setor cresceu entre 2019 e 2021, impulsionado pela chegada de novas plataformas e por preços competitivos, mas passou a enfrentar desaceleração no ritmo de crescimento da base de assinantes a partir de 2022.
A chamada “corrida do streaming” começou com a estreia de serviços como Disney+, Paramount+, Apple TV+, Peacock e HBO Max, que passaram a disputar espaço com a Netflix, então líder isolada. O ambiente competitivo favoreceu a expansão de produções originais, muitas delas transformadas em fenômenos culturais.
Com o fim do impulso gerado pela pandemia, no entanto, as plataformas passaram a enfrentar dificuldades para alcançar a lucratividade. Estúdios reduziram a produção de séries roteirizadas, cancelaram projetos e adotaram novas estratégias, como a introdução de planos com anúncios, reajustes de preços e restrições ao compartilhamento de senhas.
Em abril de 2022, a Netflix registrou sua primeira queda no número de assinantes em mais de uma década. A empresa, porém, retomou o crescimento e encerrou 2025 com cerca de 325 milhões de assinantes globais, após adicionar 25 milhões no ano. Parte dos concorrentes, por outro lado, apresenta sinais de estagnação.
Esportes e publicidade
Com a disputa por novos assinantes mais acirrada, eventos esportivos exclusivos passaram a ser utilizados como diferencial competitivo. O Paramount+ concentrou transmissões do UFC, o Peacock garantiu jogos exclusivos da NBA até a temporada 2025/2026 e a Apple TV+ assegurou direitos globais da Major League Soccer. A Fórmula 1 também deve se tornar exclusiva da Apple a partir de 2026.
Ao mesmo tempo, a publicidade ganhou espaço no modelo de negócios. Dados da Antenna indicam que 46% dos assinantes das principais plataformas nos Estados Unidos utilizam planos com anúncios. A estratégia amplia as receitas, mas enfrenta resistência de parte do público.
Consolidação no horizonte
O setor também pode passar por um novo ciclo de consolidação. A aquisição da Warner Bros. pela Netflix tende a redesenhar o mercado ao unir o catálogo do serviço líder a uma das bibliotecas mais relevantes da indústria. Segundo o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, cerca de 80% dos assinantes do HBO Max também assinam a Netflix, o que indica sobreposição relevante entre as bases.
Paralelamente, cresce a aposta em pacotes e alianças entre plataformas como forma de reduzir o cancelamento de assinaturas. Segundo a Antenna, 80% dos usuários que aderiram ao pacote Disney+, Hulu e HBO Max lançado em 2024 permaneceram ativos após três meses. A Disney planeja integrar totalmente o Hulu ao aplicativo Disney+ até o fim do ano, enquanto circulam rumores sobre uma possível fusão entre Paramount+ e Peacock.
A aquisição da Warner Bros., no entanto, enfrenta questionamentos regulatórios nos Estados Unidos. Parlamentares demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre preços, empregos e a indústria cinematográfica.
As informações fazem parte do boletim The Stepback, do site The Verge.
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