TECNOLOGIA SÓ TEM NEXO NA CONEXÃO

O executivo Luca Cavalcanti traça sua trajetória de inovação, desde as redes sociais até a IA, e afirma que a tecnologia deve ser o meio para ampliar repertórios e aprofundar as relações humanas no mercado

Adnews

15.12.2025

TECNOLOGIA SÓ TEM NEXO NA CONEXÃO
Luca Cavalcanti

Por Luca Cavalcanti

Ainda nos anos 2000, pouco tempo depois de assumir a diretoria de Marketing do Bradesco, recebi um e-mail de um jovem analista de um outro departamento. No anexo, um projeto simples, direto, mas cheio de intuição: criar uma área dedicada às redes sociais dentro do banco. Não havia um manual de como fazer aquilo na empresa ou mesmo no nosso mercado. Não havia ainda exemplos consolidados, nem qualquer garantia de retorno. Não havia ainda ferramentas e tecnologia para monitorar e interagir em escala. Mas havia algo mais raro e importante: uma leitura do espírito do tempo e das conexões humanas. Li, reli e respondi rápido.

Eu não só concordava com o projeto como queria implantá-lo rápido. Porque era daquelas coisas óbvias que a gente só se dá conta de que são óbvias quando elas são colocadas de maneira organizada na nossa frente. Precisávamos daquilo, embora nem soubéssemos. As redes sociais começavam a ser parte da vida cotidiana das pessoas, a tecnologia começava a mediar as conexões e, claro, um banco preocupado com a experiência diária delas deveria estar lá.

Era o futuro se anunciando. Mas acelerar aquela ideia não era um gesto de modernidade. Pelo menos não só. Era reconhecer que grandes instituições só seguiriam relevantes quando aprendessem a escutar antes de falar. E a se conectar, antes de derramar comunicação broadcast.

A tecnologia já dava sinais claros de que se tornaria uma mediadora poderosa das relações humanas. Caberia a nós decidir com que consciência usá-la. Mais ou menos no mesmo período, antes do iPhone redefinir nossa relação com o mundo, co-criamos com pessoas brilhantes de uma das nossas agências de publicidade um aplicativo de realidade aumentada para localizar máquinas de autoatendimento do Bradesco usando a câmera do telefone. Hoje, a funcionalidade parece óbvia também.

Na época, no entanto, era um experimento. Uma ponte entre o presente e um futuro. Como essas duas histórias, eu poderia contar dezenas. Em todas elas, há uma constante: a conexão entre as pessoas. Porque nada disso aconteceu de forma isolada. Tudo foi fruto de estar conectado ao mercado, às transformações culturais e, principalmente, às pessoas extraordinárias com quem trabalhei ao longo da jornada.

Foi esse ambiente de troca que permitiu liderar iniciativas que marcaram época, como as campanhas Bradesco Completo e Banco do Planeta, esta última com a voz potente de um então jovem mas absurdamente potente Wagner Moura.

Veio o primeiro perfil de um banco brasileiro nas redes sociais, mas veio também a imersão no universo mobile quando ele ainda era promessa, o Next como banco digital na efervescência das fintechs, o inovabra como ecossistema aberto de inovação e, em 2015, a BIA, a inteligência artificial do Bradesco, quando falar disso ainda soava filme do Kubrick. Enquanto essas transformações nasciam e ganhavam forma, o AdNews firmava sua história. Há 25 anos, o portal acompanha, provoca e registra os movimentos do mercado publicitário em um mundo que começava a se transformar e que já mudou completamente mil vezes desde então. Orkut, Facebook, YouTube e as primeiras tecnologias mobile surgiam.

A centralidade no cliente deixava de ser discurso e começava a se tornar prática com as áreas de UX e CX. A sustentabilidade dava sinais de que não seria uma pauta lateral, mas estrutural. Plataformas se multiplicaram, tecnologias se sofisticaram e a velocidade passou a ser um dado da realidade e jeito que dá para operar. Mas já naquela época os sinais estavam todos ali para quem quisesse ver.

A tecnologia parecia ser protagonista, mas ela não poderia ser fim: teria de ser meio. Como ferramenta capaz de ampliar repertórios, escalar boas ideias e aprofundar conexões, desde que guiada por uma visão humanista e estratégica. Hoje, atuando com impacto social, storytelling e comunicação 360 graus na NAÇÃO, como senior advisor na Accenture e conselheiro na House of Brains e na BMI, sigo encontrando o mesmo princípio em contextos diferentes. A prosperidade, pessoal ou coletiva, nasce da nossa capacidade de nos conectarmos. De concatenarmos repertórios e intenções.

A tecnologia potencializa nossa ação no mundo e ela é muito melhor quando está a serviço disso. Volto, então, àquele e-mail recebido ainda nos anos 2000, do analista (que hoje é, inclusive, um sócio e amigo querido). Ele não previa tudo o que viria depois, mas apontava a direção.

O futuro raramente se apresenta pronto. Ele costuma chegar assim, em mensagens simples, enviadas por gente atenta ao mundo. E por veículos como o AdNews, que há 25 anos mostra e antecipa as tendências. Reconhecer esses sinais e o espírito do nosso tempo continua sendo um dos maiores desafios e privilégios de quem trabalha com comunicação. E é a conexão entre as pessoas o exato momento em que ele se manifesta.

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