Uma Semana de Cinema que Valeu a Pena

Dois lançamentos brasileiros — o novo filme de Kleber Mendonça Filho e o drama histórico Cyclone — mostram a força do cinema nacional em narrativas autorais, interpretações potentes e direções que ampliam o olhar sobre política, memória e protagonismo feminino

Adnews

14.11.2025

Uma Semana de Cinema que Valeu a Pena

Por: Cesar Netto

Essa semana fui assistir O Agente Secreto, do Kleber Mendonça Filho, e já começo dizendo que vale muito a ida ao cinema. O filme te coloca direto no Recife dos anos 70, com uma fotografia quente e natural, que ajuda a criar toda a atmosfera da época. E o Kleber faz aquilo que ele sabe fazer muito bem: mistura política, drama, suspense e vida real de um jeito muito próprio. É um filme com a cara dele, autoral, bem cuidado, cheio de detalhes que carregam a identidade do diretor. Você sente a mão dele em tudo.

Um ponto que chama muita atenção é a direção de arte. Tudo é pensado com muito cuidado, desde o figurino e os objetos de cena até os carros e as cores. Existe um equilíbrio bonito entre tons frios, como os azuis e verdes mais discretos, e uma paleta mais pastel com bordô, amarelo, laranja, marrom. Fica tudo muito harmonioso, sutil e elegante.

O Wagner Moura está incrível. Uma atuação madura, intensa, segura, sem exagero. Ele domina as cenas com muita naturalidade.

Mesmo tendo quase três horas, o filme passa rápido. A história te envolve e quando você vê já está completamente dentro dela. Se puder, vá numa sala boa, porque o filme merece.

E já que estou falando de cinema, eu estive no Teatro Municipal para ver a pré-estreia de Cyclone e saí muito impactado. O filme volta para São Paulo de 1919 e acompanha a história de uma dramaturga que enfrentou uma época extremamente machista para conseguir existir como artista. É um drama muito bem construído, dirigido pela Flávia Castro, que conduz essa história com um olhar sensível e firme ao mesmo tempo.

Uma coisa que me chamou atenção é que a equipe do filme é majoritariamente feminina. Desde a direção e o roteiro até várias áreas da produção. Dá pra sentir isso no jeito de contar a história, na delicadeza, na força, no cuidado. É um detalhe importante, porque faz toda diferença no resultado final.

A protagonista é a Luiza Mariani, que está impressionante. Uma atuação forte, sensível, cheia de verdade. Ela conduz o filme com intensidade e, ao mesmo tempo, com uma delicadeza que toca muito.

A fotografia recria 1919 com bastante cuidado e dá ao filme um charme especial. E tem um detalhe que deixou tudo ainda mais interessante. Boa parte das cenas foi filmada dentro do próprio Teatro Municipal, então assistir ali, no mesmo espaço onde tanta coisa aconteceu, criou uma sensação diferente, quase como se eu estivesse entrando na história junto com os personagens.

Cyclone estreia agora em dezembro de 2025 e, sinceramente, acho que vai chamar muita atenção. A trilha é bonita, o elenco é forte e é daqueles filmes que deixam um impacto real. Saí do Municipal com aquela sensação boa de ter visto algo especial.

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