Varejo farmacêutico bate R$ 243 bilhões e aperta o jogo para 2026

Setor cresce 10,8%, entra em fase de maturidade e passa a exigir gestão profissional, eficiência operacional e uso intensivo de dados para sustentar resultados

Adnews

15.01.2026

Varejo farmacêutico bate R$ 243 bilhões e aperta o jogo para 2026

O varejo farmacêutico brasileiro alcançou um novo patamar histórico e, ao mesmo tempo, entrou em uma fase decisiva de maturidade. Dados da IQVIA, referentes ao Total Anual Móvel até novembro de 2025 (MAT 11/2025), mostram que o mercado atingiu R$ 243,33 bilhões em faturamento, com crescimento de 10,81% na comparação anual. O avanço confirma a força do setor, mas também evidencia uma virada: crescer deixou de ser automático.

Pela primeira vez em muitos anos, o setor não avança mais por inércia. A concorrência se intensificou, as margens ficaram mais pressionadas e erros operacionais passaram a impactar diretamente a sobrevivência dos negócios. O improviso, que em outros ciclos ajudou a sustentar resultados, já não encontra espaço em um mercado cada vez mais profissionalizado.

Esse novo cenário aparece de forma clara no varejo independente. Pelo terceiro ano consecutivo, mais farmácias fecharam do que abriram no país. No período de 12 meses até outubro de 2025, foram 5.459 novas lojas contra 6.555 encerramentos, um saldo negativo de 1.096 unidades. Não se trata de uma crise do setor, mas de um aumento expressivo no nível de exigência operacional.

Enquanto isso, a Febrafar manteve desempenho acima da média do mercado. A federação reúne 70 redes e 17.907 lojas, com presença em 68% dos municípios brasileiros, alcançando cerca de 182 milhões de pessoas. Segundo a IQVIA (MAT 11/2025), as associadas faturaram R$ 41,10 bilhões, com crescimento de 13,38% e market share nacional de 16,89%.

Para Edison Tamascia, presidente da Febrafar, os números refletem uma transformação estrutural do setor. “O varejo farmacêutico entrou em uma nova fase. Crescer hoje exige disciplina, gestão baseada em dados e capacidade de execução. A Febrafar tem conseguido crescer acima da média porque oferece estrutura, tecnologia e inteligência de negócio às farmácias associadas, reduzindo riscos e aumentando eficiência”, afirma.

Os dados também mostram que o crescimento está cada vez mais ligado à diversificação do mix e à gestão eficiente das categorias. No mercado total, os medicamentos de marca somaram R$ 99,1 bilhões (+11,27%), enquanto os genéricos alcançaram R$ 46,9 bilhões, com alta de 14,45%.

Entre as associadas da Febrafar, o desempenho foi ainda mais consistente. Os genéricos cresceram 17,18%, totalizando R$ 10,0 bilhões, e os similares e trade equivalente avançaram 9,05%, bem acima dos 3,49% do mercado geral. “Não basta comprar melhor ou negociar pontualmente com a indústria. É preciso ter visão de negócio, controle de dados, rotina de análise e capacidade de adaptação”, reforça Edison.

Outro fator que marcou 2025 foi a forte demanda por medicamentos à base de GLP-1, usados no tratamento da obesidade. Embora tenham impulsionado o faturamento, esses produtos também expuseram gargalos na cadeia de suprimentos, especialmente para o varejo independente, que enfrentou restrições de oferta e priorização das grandes redes corporativas.

Mesmo com esse cenário, a Febrafar registrou crescimento em todas as regiões do país. O Nordeste faturou R$ 11,46 bilhões (+13,85%), o Sudeste R$ 13,66 bilhões (+11,85%) e o Sul R$ 7,18 bilhões (+11,15%). Centro-Oeste e Norte lideraram em avanço percentual, com 14,24% e 20,60%, respectivamente, reforçando o papel do associativismo fora dos grandes centros.

A digitalização também deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico. Em 2025, a Febrafar ampliou investimentos em inteligência artificial, sistemas proprietários e análise de dados, movimento que rendeu reconhecimento internacional, com menção ao trabalho da entidade pelo Google, em Nova Iorque. “O setor ainda é muito analógico, especialmente entre os independentes. E isso hoje representa risco. Digitalização não é mais opção, é condição para sobreviver”, afirma Edison.

Para 2026, a expectativa do mercado é de crescimento em torno de 12%, mantendo o ritmo observado no MAT 11/2025. A Febrafar projeta superar novamente essa média. “O cenário ficou mais desafiador, mas também mais claro: quem se organiza, investe em gestão e executa bem cresce. Quem insiste no improviso fica para trás”, conclui o presidente.

Na nova fase do varejo farmacêutico brasileiro, associativismo, tecnologia e gestão profissional deixam de ser vantagem competitiva — passam a ser regra do jogo.

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