Wascer aposta em tecnologia própria para rastrear conversões de anúncios

Projeto de R$ 1,25 milhão prevê ampliar infraestrutura server-side, incorporar inteligência artificial e fortalecer processamento de dados em Minas Gerais

Adnews

22.10.2026

Wascer aposta em tecnologia própria para rastrear conversões de anúncios

Com o avanço da publicidade digital, entender quais anúncios realmente resultam em vendas se tornou uma das principais preocupações de anunciantes e plataformas.

É nesse mercado que a Wascer, empresa de tecnologia sediada em Varginha, Minas Gerais, pretende ampliar sua atuação com um projeto de inovação estimado em R$ 1,25 milhão.

A proposta prevê investimentos em servidores, automação, inteligência artificial e desenvolvimento de novos módulos de software para fortalecer uma plataforma de coleta e rastreamento de dados por meio de processamento server-side.

Rastreamento busca reduzir perda de informações

Parte do problema de mensuração acontece quando um consumidor interage com um anúncio, acessa uma loja virtual e realiza uma compra, mas nem todas essas informações chegam corretamente às plataformas publicitárias.

Bloqueadores de anúncios, restrições de navegadores e limitações relacionadas a cookies podem afetar esse fluxo de dados.

A tecnologia server-side transfere parte desse processamento do navegador do usuário para servidores controlados pela empresa ou por fornecedores especializados.

A proposta da Wascer é aumentar a consistência das informações enviadas às plataformas de publicidade, dentro das exigências de privacidade e proteção de dados.

“As empresas investem milhões em publicidade, mas nem sempre conseguem enxergar com precisão o que esse dinheiro trouxe de resultado”, afirma Henrique Reis, CEO da Wascer.

Segundo ele, a companhia busca reduzir a distância entre investimento e informação disponível para os gestores.

Empresa quer competir com fornecedores internacionais

O mercado de rastreamento digital já conta com empresas internacionais especializadas.

A Wascer cita fornecedores como Stape e AddingWell entre as referências de um segmento em que software e infraestrutura precisam funcionar de forma integrada.

Para Reis, a disputa não acontece apenas em preço.

“Estamos competindo com empresas de tecnologia da Europa e dos Estados Unidos em um setor que exige conhecimento técnico e investimento pesado em infraestrutura”, afirma.

A estratégia é controlar mais etapas do processo, desde a recepção dos dados até tratamento, processamento e análise.

Infraestrutura em Minas Gerais entra na estratégia

A empresa mantém estrutura de data center em Varginha, no Sul de Minas Gerais.

O novo projeto prevê ampliar capacidade computacional e incorporar novos recursos de automação e inteligência artificial.

A combinação entre software próprio e infraestrutura física também faz parte do modelo de negócio da companhia.

Em vez de oferecer apenas capacidade de processamento, a empresa pretende agregar serviços relacionados a análise, tratamento e inteligência sobre dados.

Projeto prevê R$ 1 milhão via Pró-Inovação

A proposta foi estruturada pela Sourei para o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, o BDMG.

Do investimento total de R$ 1,25 milhão, R$ 1 milhão seriam obtidos por meio do programa Pró-Inovação, enquanto os outros R$ 250 mil corresponderiam à contrapartida da empresa.

A operação ainda depende de aprovação e contratação.

Caso avance, os recursos serão destinados à compra de equipamentos, desenvolvimento tecnológico, contratação de profissionais especializados e capital de giro associado ao projeto.

O cronograma prevê 12 meses para expansão da infraestrutura, desenvolvimento de módulos e validação da plataforma para crescimento comercial.

Parceria com Cefet-MG inclui IA

O projeto também prevê a continuidade da cooperação com o Cefet-MG, campus Varginha.

A parceria envolve desenvolvimento e validação de algoritmos de inteligência artificial, pesquisas aplicadas e testes tecnológicos.

Estudantes da instituição também poderão participar das atividades ligadas à plataforma.

“Não precisamos estar em São Paulo ou fora do Brasil para desenvolver tecnologia capaz de competir globalmente”, afirma Reis.

Segundo ele, o desafio está em transformar conhecimento e infraestrutura em produtos capazes de ganhar escala.

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