A campanha da Fiat “Vem pra Rua”, como o nome já sugere, convoca uma mobilização do público para torcer pela Seleção Brasileira de futebol. Pelo menos este é o mote do filme criado pela Agência Fiat/ AgênciaClick Isobar e Leo Burnett Tailor Made.

Acontece que o refrão da campanha, cantado pela banda Rappa, ganhou um tom militante e virou o hino das manifestações, principalmente em São Paulo, contra o aumento da tarifa do transporte público: “Vem pra rua porque a rua é a maior arquibancada do Brasil”.

A música foi liberada na internet para ser compartilhada gratuitamente e o clipe ganhou uma releitura do público, com uma edição que exibe imagens marcantes da manifestação. Geralmente a propaganda se utiliza dos costumes e culturas populares, mas nesse caso, ironicamente, a ordem dos fatos foi invertida.

“Vivemos uma era muito estranha, daquelas que muitas teorias caducaram e já não cabem mais. Tudo precisa ser revisto. É curioso ver como uma propaganda “alienante” pode se tornar um hino de “conscientização”. É a mais pura apropriação “anarquizante” dos recursos imagéticos. O título “Vem pra Rua” não poderia ser mais propício, não?”, comentou o comunicador e professor universitário Anderson Gurgel.

A julgar pelos comentários na página da Fiat no Facebook, a reação do público tem saldo positivo para a marca, que levantou uma bandeira e caiu de paraquedas em outra. Sorte ou azar? Os responsáveis pela campanha estão todos em Cannes, segundo a assessoria de imprensa da Fiat, e não puderam comentar a repercussão do vídeo.

Geralmente grandes campanhas nasceram da interpretação criativa de culturas e costumes populares. E na era da internet, onde as coisas acontecem com muita velocidade, a propaganda costuma utilizar fatos recentes de domínio público, e transformá-los numa mensagem para promover as marcas, é o chamado “anúncio de oportunidade”.

Alguns chavões em evidência ou “hashtags” de ocasião, também são utilizados para campanhas maiores. É o caso da propaganda “Imagina a festa” da Brahma, criada pela agência Africa.

Curioso notar essa inversão de valores, uma manifestação utilizando a propaganda e não o contrário, e perceber que as marcas precisam, cada vez mais, se reinventar e estudar muito o comportamento de seu público, sobretudo no ambiente das novas mídias.

Veja a campanha original:

Confira a releitura dos manifestantes:

Por Renato Rogenski

 

 

       

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