Risqué: Mal entendido ou erro da marca?

Artigo de Renato Melo, sócio-diretor da Iska Digital digital e colunista do Adnews

A Risqué lançou uma campanha diferente querendo misturar o romantismo com a vaidade. No entanto, a marca recebeu uma chuva de críticas nas redes sociais. Hoje, entrar como assunto do momento pode assustar muita gente. Afinal, o mundo virtual é muito rápido. Mas, será que a marca realmente errou ou foi má compreendida? Será que precisa de uma gestão de crise?

Como já atendi empresas dedicadas ao público feminino, como Avon e Natura, posso afirmar que esta nova linha da Risqué passou pela aprovação de, pelo menos, um grupo de mulheres. Isso, se a própria ideia não partiu de uma delas. Soma-se isso a certeza de que uma marca nunca iria ofender suas consumidoras, chegamos em um único denominador comum: houve má interpretação. De qualquer forma, isso não esconde as falhas de uma estratégia.

Entendendo o caso:

As embalagens contêm frases simples. A que recebeu destaque na campanha foi: "André fez o jantar". Nas redes sociais a embalagem foi acompanhada por uma legenda com uma narrativa de uma mulher "André sempre me surpreende: me esperou em casa com um incrível jantar à luz de velas. Se no Facebook a legenda passou despercebida, imagina no PDV? Afinal, fazer uma janta é muito diferente de fazer um jantar à luz de velas.

 

E o Timing da ação?

Homenagear os homens no mês das mulheres também não causou uma boa impressão. Vale lembrar que ainda não temos igualdade entre homens e mulheres, porém a nova geração já respira aliviada o fato de não ter mais o rótulo machista de "dona de casa". Hoje, vários casais dividem as tarefas e obrigações. E é justamente esta geração que batalha para que não retirem os louros das pequenas conquistas ao longo do tempo.

Cabe gestão de crise?

Com uma linha de produtos já produzida, uma grande estratégia de gestão de crise poderia prejudicar ainda mais a marca. Pensando unicamente na Risqué, cabem três passos: adotar o silêncio (que é uma poderosa estratégia de gestão de crise), analisar de perto as vendas do produto e pensar na próxima campanha como uma grande campanha.

Hoje, o número de usuários do Facebook ainda não representa 50% da população brasileira. Por isso, pode ser que a coleção alcance um número surpreendente de vendas e leve a marca a outras estratégias. Não que eu concorde, mas é uma opção.

Como está a rede no momento?

A Risqué continua postando normalmente e apenas uma minoria está criticando a marca. A maioria das mulheres ainda está em um relacionamento sério com a empresa.

Porém, atualmente cada vez mais as empresas devem contar com um processo de validação amplo para não ser vítima de grandes debates como esse.

Agora, o Adnews quer ouvir você: Má interpretação ou Erro de estratégia?

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