Umberto Eco, Gordilho e as profecias sobre a mídia impressa

“É preciso romper o paradigma do canibalismo de uma mídia tecnologicamente revolucionária contra as anteriores”
A recente palestra do diretor de criação da Agência África, Sérgio Gordilho, no Festival do Clube de Criação de São Paulo, na qual salientou a importância e eficácia da comunicação impressa, corroborou opinião de numerosos especialistas no tema em todo o mundo. Dentre eles, o grande escritor e linguista italiano Umberto Eco, que, em numerosas oportunidades, vem expressando sua convicção de que o livro de papel e os meios gráficos serão perenes, pois agregam imensa credibilidade e podem ser arquivados durante séculos.
 
De fato, parece exagerado e despropositado o vaticínio, que se tem observado na imprensa e debates sobre o assunto, relativo à extinção do impresso e sua substituição pelo eletrônico. A rigor, como se pode concluir de modo mais isento, numa ilação com as análises de Umberto Eco e Gordilho, é que sequer há antagonismo entre ambos. São eles complementares na missão civilizatória essencial de democratizar o acesso à informação e ao conhecimento, na qual se ancora a maior e mais concreta esperança de corrigirmos os problemas da sociedade globalizada e viabilizar um futuro melhor.
 
É preciso romper o paradigma do canibalismo de uma mídia tecnologicamente revolucionária contra as anteriores. A história mostra que não tem sido assim, pois até hoje nenhuma dessas profecias fatídicas concretizou-se. Jornais, livros e revistas não acabaram devido ao surgimento do rádio. Do mesmo modo, todos esses meios e o cinema não sucumbiram ao advento da televisão!
 
A predição da vez é relativa à comunicação gráfica, que tem sido um dos principais canais do conhecimento, informação e cultura. Não há dúvida de que o e-book e demais meios eletrônicos são irreversíveis. Porém, isso não significa o fim dos impressos. Sempre haverá público para todas as modalidades dentre os sete bilhões de terráqueos.
 
Seria impertinente e até ingênuo, por parte das editoras, indústrias gráficas, jornalistas, publicitários, publishers e amantes da palavra expressa no papel, negar ou resistir ao avanço do e-book e tecnologias eletrônicas. Tampouco é desnecessário discorrer sobre as vantagens do livro e a comunicação gráfica em geral, sua magia, preço, peculiaridades inerentes às artes da impressão e outros diferenciais. O importante é ter consciência de que o mercado da comunicação, do jornalismo, da publicidade e do entretenimento tem espaço para todos os meios. Cabe a cada um deles desenvolver-se, agregar novas tecnologias, ampliar sempre a qualidade e se adequar às demandas de uma civilização cada vez mais inquieta e dependente da informação.
 
Felizmente, todos têm sido eficazes no enfrentamento desses desafios. No cinema, só a pipoca e o insubstituível encanto da telona são os mesmos. Imagem e som digitais, três dimensões e poltronas confortabilíssimas, algumas até acompanhando os movimentos dos filmes, ajudam a seduzir espectadores. O rádio, incansável prestador de serviços, atingiu níveis excepcionais de qualidade. Os livros estão cada vez mais bonitos, bem impressos, com diagramação atrativa e capas instigantes. Suas tiragens, graças à tecnologia da impressão digital, que também não extinguiu o offset, adaptam-se às mais distintas demandas, títulos e mercados. O mesmo se aplica a jornais, revistas e as infinitas possibilidades da propaganda e da publicidade impressas, como enfatizou o diretor de Criação da África e como tem preconizado  Umberto Eco.
 
O impresso não acabará! Afinal, sucumbiria com ele o universo lúdico e confiável da tinta sobre o papel, no qual a humanidade convive há séculos, de maneira muito íntima, com sua história, cultura, literatura, ciência e todo o conhecimento que lhe permitiu sair das cavernas e conquistar o cosmo!
 
Artigo encaminhado por Fabio Arruda Mortara, empresário, é presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (ABIGRAF Nacional) e do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (SINDIGRAF).
 
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