“Os dados não são inofensivos, não são abstratos quando se fala de pessoas. Não são os dados que estão sendo explorados, são as pessoas”, comentou Edward Snowden, quem denunciou o esquema de vigilância de larga escala desenvolvido pela CIA e pela NSA.

Em conversa com James Ball, do Bureau of Investigative Journalism, Edward Snowden se lembrou dos motivos que o levaram a denunciar à todo o mundo as autoridades do seu próprio país, eu meados de 2013. “Vigiavam as pessoas já com intuito de prospecção, o que chamei de vigilância permanente. Faziam isso de qualquer forma, mesmo que as pessoas não tivessem feito nada, e ninguém com poder fazia alguma coisa já que era proveitoso”, lembrou Snowden, que participou do primeiro dia do WebSummit 2019 por vídeo conferência, pois está em asilo político na Rússia.
Sobre o presente momento que o mundo da tecnologia atravessa, com as chamadas big tech pressionadas tanto por reguladores como por consumidores, Snowden foi claro: “O modelo de negócio é o abuso”, diz Snowden sobre empresas como Google, Amazon ou Facebook. Além disso, o ex analista de sistemas da CIA e da NSA deixou seu recado: “Como é que se policia o uso desse poder quando ele é usado contra o público?”
Sendo uma conferência em território europeu, Snowden, que é crítico das práticas de privacidade e captação dados ao longo dos últimos seis anos, foi questionado sobre a sua visão sobre o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD). “Será o RGPD a solução certa?”, perguntou o jornalista. “Não, acho que a questão está logo no nome: não deve haver uma proteção de dados mas sim medidas contra a captação de dados.” Ainda assim, reconhece que a legislação europeia sobre a privacidade e a proteção de dados é “um princípio.”

Por Giselle Malvezzi Mendes

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