O filme do Brasil no Oscar, Deserto Particular, chega ao cinema

O filme é dirigido por Aly Muritiba, e disputa uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro.

Já faz muito tempo que o Brasil tenta, tenta, e não chega lá entre os finalistas do Oscar. A última vez foi no século passado, em 1999, com Central do Brasil. Agora em 2021, a comissão que escolhe o representante do país escolheu Deserto Particular de Aly Muritiba. Espero morder a língua, mas creio que mais uma vez nosso cinema ficará de fora da lista de finalistas. Deserto Particular estreia nessa quinta nos cinemas.

Daniel (Antonio Saboia, de Bacurau) é um policial que foi  afastado do trabalho depois de cometer um erro. Ele mora em Curitiba, com um pai doente, de quem cuida com devoção. Taciturno, Daniel fala pouco, e sorri menos ainda. Seu único motivo de alegria é a misteriosa Sara, uma moça que mora no sertão nordestino. Eles se correspondem por aplicativo de celular. Mas, de repente, Sara some. E Daniel resolva cruzar o país em busca de seu amor, deixando tudo para trás, e sem saber o que encontrará.

Deserto Particular vem sendo reconhecido em festivais internacionais. Ganhou um prêmio de público no Festival de Veneza. Nessa semana recebeu outros diversos. Foi o melhor filme e Pedro Fasanaro foi o melhor ator no Festival Mix Brasil. Também foi escolhido como Melhor Filme Internacional no  TLVFest 2021 – The Tel Aviv Internacional LGBTQ Film Festival. E ainda recebeu o Prêmio Camilo (conferido ao melhor longa com temática LGBTQ), no Festival de Huelva – Cine Ibero-americano.

O que achei de Deserto Particular?

Como se pode ver a temática LGBTQ está presente no filme. Então se você tem preconceitos, é melhor nem ir. A história se divide em duas partes. A primeira é a apresentação dos problemas de Daniel, e como Sara é importante para ele. Numa fuga de tudo o que o aborrece, ele resolve ir de encontro à única coisa que lhe parece positiva. A segunda parte começa a partir do momento em que Daniel encontra Sara. A partir daí, a trama contemplativa passa a ter um pouco mais de vida. Especialmente quando acompanhamos o encontro dos dois, e a subsequente descoberta da verdade sobre Sara.

Não quero entrar em detalhes para não estragar a experiência da descoberta que o filme propõe. O que posso dizer é que Deserto Particular cresce a partir do momento que sabemos mais sobre a realidade de Sara. E ainda mais como ela sabe que o seu ideal romântico da relação com Daniel não sobreviveria à realidade. E por isso mesmo, ela se esconde. É uma bela e triste história de amor.

Minha consideração sobre a provável falta de chance de ser finalista no Oscar é que o filme tem altos e baixos. Na verdade, parecem dois filmes diferentes. Com suas duas horas, há diversos momentos em que ele parece excessivamente longo. Mas é uma bela história, inclusive com atuações irretocáveis dos dois atores principais. É um filme para conhecer.

Eliane Munhoz

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