A beleza da aliteração na comunicação corporativa
Aliteração é truque? Quando a linguagem corporativa dos seus vídeos, animações ou apresentações repete sons de forma deliberada, ela pavimenta o caminho da atenção: A aliteração é uma figura de linguagem pouco utilizada na comunicação corporativa, mas muito eficiente, que pode ajudar a sua mensagem a ser mais fácil de ouvir, lembrar e compartilhar
05.11.2025

A base para muitas soluções criativas que desenvolvemos para apresentações, vídeos e animações aqui na MonkeyBusiness é, como não poderia ser muito diferente, as figuras de linguagem. E, nesse vasto repertório das figuras de linguagem, uma delas não aparece tanto, mas traz uma beleza e até certa poesia para as criações: a aliteração. Ou seja, a repetição estratégica de fonemas semelhantes em momentos-chave da comunicação. Mesmo sendo uma das mais subestimadas na comunicação corporativa, ela tem o poder de aplicar um brilho em informações menos interessantes, direcionando o olhar – e a atenção – do seu público para pontos importantes da sua mensagem de uma forma bastante simples, mas convidativa.
Em textos, locuções, trilhas e sonoras de animação, a aliteração tem o poder de criar ritmo, gerar prazer cognitivo e aumentar a “fluência de processamento da mensagem”. E nós sabemos que, quanto mais fácil alguma informação é de ser processada, mais positivo tende a ser o nosso julgamento estético e afetivo sobre ela. Mas o uso da aliteração em produções audiovisuais ainda não é muito comum. Nós mesmos, fomos descobrindo como aplica-las em nossas produções de vídeos, animações e apresentações corporativas pelos mais de 16 anos de experiência que desenvolvemos. Ou seja, mesmo sendo uma estética simples, ela não é tão intuitiva no início.
Assim, esse efeito criativo não é uma exclusividade ou descoberta aqui das produções de vídeos, animações ou apresentações corporativas da MonkeyBusiness. O uso e a aplicação da aliteração é bem documentado na psicologia cognitiva: repetição, simetria e padrões familiares tornam o estímulo mais fluente e, portanto, mais “gostável”. Posso dizer até que essa técnica estética é uma forma simples de vencer resistências em materiais corporativos que muitas vezes não são muito impactantes.
Mas a Aliteração não é só poesia. Seja no branding, na publicidade e na produção de apresentações, vídeos e animações corporativas como os que criamos aqui na MonkeyBusiness, há décadas a fonética é estudada como variável persuasiva: certos sons carregam significados implícitos, como podemos aprender nos estudos de sound symbolism e moldam preferência por nomes e slogans — de vogais “front” que soam ágeis/pequenas até as chamadas de “back vowels” e oclusivas que soam robustas/pesadas. Isso influencia a percepção de atributos e a escolha de marcas. E também é aplicada em mensagens mais pontuais, como as milhares que criamos aqui.
Em slogans e provérbios, a forma poética também turbinou a crença: o “rhyme-as-reason effect” mostrou que frases com rima (e, por extensão, repetições sonoras) parecem mais verdadeiras do que versões semanticamente idênticas sem rima — um baita alerta para quem escreve roteiros corporativos que precisam soar confiáveis. E não é só no mundo corporativo que aplicamos essa técnica com tanto sucesso. Na cultura pop, Stan Lee virou patrono extraoficial da aliteração: Peter Parker, Bruce Banner, Matt Murdock, Reed Richards… O próprio Lee admitiu que fazia isso “porque tinha uma péssima memória”: se lembrasse do primeiro nome, tinha a pista do segundo. Eu acho essa explicação tão simples e brilhante de como um simples cuidado mnemônico pode ser aplicado ao entretenimento e também nas suas peças audiovisuais.
Para finalizar, acredito que a aliteração, como diversas outras figuras de linguagem tidas como mais simples, e as vezes até deixadas em segundo plano, podem trazer um brilho ao seu conteúdo audiovisual e destacar mensagens importantes, além de ajudar na atenção do seu público. Podem não ser a estratégia criativa principal da sua mensagem, mas é um cuidado que pode destacar o seu conteúdo de forma simples, direta e criativa, mesmo que nos pequenos detalhes.
INBOX
Aprenda algo novo todos os dias.
Assine gratuitamente as newsletters da Adnews.