Balanço da Copa: O que o Catar nos mostrou?
Desde as transmissões de televisão (e agora de internet) até as adaptações que as marcas tiveram que passar no Catar, edição da Copa foi cheia de novidades
20.12.2022

A Copa do Mundo do Catar finalmente chegou ao fim, para tristeza dos que estavam aproveitando a festa do futebol durante o último mês. A final entre Argentina e França não poderia ter encerrado o evento de forma melhor, tendo sido considerada por muitos como a melhor de todos os tempos, além de ter finalmente colocado Lionel Messi na prateleira dos maiores de todos os tempos junto com Pelé, Maradona e outros craques que ganharam o torneio.
Ainda assim, a Copa do Mundo desse ano não serviu apenas para aproveitar o esporte mais popular do planeta. Há várias lições e novidades que podemos observar não só no mundo da publicidade, mas também da inovação e de muitas outras áreas. Para relembrar algumas coisas que a Copa nos trouxe, fizemos um balanço do evento, lembrando alguns momentos e detalhes que você não pode deixar passar batido.
Cazé TV e a transmissão da Copa
Talvez o maior recado que essa Copa tenha passado para criadores de conteúdo e o público no geral é que a televisão pode ser vencida. Claro, isso não era exatamente uma novidade quanto o tópico era entretenimento como um todo, mas até então, quando falamos de transmissão esportiva as coisas pareciam bem diferentes… até agora.
Durante o mês que o evento aconteceu, acompanhamos o crescimento da CazéTV, canal do YouTube e da Twtich feito pelo streamer Casimiro Miguel, sucesso nas redes sociais. A CazéTV, que conseguiu uma parceria com a FIFA para transmissão de vários jogos do evento, incluindo os do Brasil, bateu diversos recordes durante o mês, tendo inclusive chegado ao topo do ranking das lives mais assistidas do mundo.
Os números representam muito para Casimiro e seus colaboradores, como o narrador Luis Felipe Freitas, que deu voz as partidas no canal, o humorista Diogo Defante, que deu o que falar nas redes enquanto fazia piadas com outros turistas que foram ao país árabe assistir o evento. Além disso, também abre as portas para novidades no âmbito esportivo, se a Copa foi um sucesso fora da televisão, por que outros eventos e campeonatos também não podem ser?
Mas e a televisão?
Ainda que as transmissões na internet tenham se mostrado uma forte ameaça à hegemonia da televisão nas transmissões, essas ainda conseguiram manter bons números e bons momentos durante o evento. Os jogos transmitidos na televisão aberta ficaram por conta da Globo, que tem domínio da Copa há mais de 40 anos e dessa vez teve um momento especial com a saída de seu principal narrador: Galvão Bueno.
Já quando o assunto é a televisão fechada, os jogos ficaram por conta da gigante ESPN. Ainda assim, vale ressaltar que o principal foco do canal para essa edição da competição foi um pouco redirecionado para o Star+, serviço de streaming da Disney que garantiu a transmissão dos “highlights”, os melhores momentos, dos jogos da Copa. Essa ação mira também em campeonatos de futebol futuros, como a Premier League, que pode ser vista pelo serviço.
E falando no Galvão…
Uma das maiores campanhas durante o período da Copa do Mundo envolve o maior narrador da rede Globo, Galvão Bueno. Em uma parceria inédita com a rede social TikTok, o narrador “emprestou” sua voz para os usuários do aplicativo. Agora, ao gravar vídeos, é possível utilizar a icônica voz como efeito. Confira:
@galvaobuenooficial É isso aí, agora dá para narrar os seus vídeos no @TikTok Brasil usando a minha voz!! Tudo vira jogo no app!! #FalaGalvao #TorcidaTikTok ♬ som original – Galvão Bueno
O domínio das casas de aposta
As casas de apostas dessa vez foram uma das mais beneficiadas pela Copa desse ano. As diversas campanhas e anúncios parecem ter surtido efeito e atraído um público diverso que tentou transformar seus palpites e intuições em dinheiro.
A estimativa é de que, em relação ao torneio anterior, feito na Rússia em 2018, a quantia apostada nesses sites tenha sido 65% maior. Segundo o banco multinacional Barclays, 35 bilhões de dólares teriam sido apostados durante o evento, sendo 1 bilhão desse montante apenas na grande final, que aconteceu dia 18. Convertido, em real, essa quantia se aproxima dos R$186 bilhões.
Adaptação
O Catar não é o melhor exemplo de país liberal. Com diversas medidas restritivas e leis completamente diferentes da que estamos acostumados, algumas marcas tiveram que se reinventar para participar do evento, ou até mesmo se reinventar por não poderem nem mesmo entrar no país, como é o caso da Budweiser.
Entre as principais medidas do Catar, uma delas é a restrição de bebidas alcoólicas, principalmente por motivos religiosos. Sendo assim, marcas de cerveja, como a Budweiser, não conseguiram realizar seus planos como o esperado durante essa edição do evento. A estratégia então foi outra: uma campanha especial de divulgação que, no final, entregaria um carregamento gigante de cerveja para o país vencedor. Os hermanos, claro, vão receber litros de cerveja em casa gratuitamente.
Outra marca que não pode ficar de fora quando o assunto é a adaptação durante o período da Copa é a Pantone. Como o Catar tem diversas leis que pune a comunidade LGBTQIA+, inclusive proibindo a manifestação de apoio a comunidade, a Pantone decidiu inovar, criando uma bandeira especial para o público.
A bandeira criada pela marca é totalmente branca, mas com o detalhe de registros de cores da marca adicionadas. Esses registros nada mais são do que as cores do arco-íris que marcam a bandeira LGBTQIA+, fazendo com que o protesto passe ileso diante as autoridades. Embora o questionamento do quanto a ação representa a comunidade possa ser feito, é válido lembrar da inovação diante de uma situação limitante por parte da empresa.
E 2026?
Agora, um novo ciclo se inicia para as seleções, marcas e claro, para o grande público que vai ter que esperar mais 4 anos para saber se o tão esperado Hexa chegará ao Brasil. A Copa do Mundo de 2026 acontece em três países diferentes: Estados Unidos, Canadá e México.
Apesar da proximidade, as três sedes tem culturas bem diferentes, fazendo com que as marcas tenham que se adaptar aos diferentes públicos, mas com um alívio em relação as rígidas leis que dominaram as duas sedes anteriores, Rússia e Catar. O que resta até lá, é aguardar.
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