cult of the lamb, ofofo infernal e o poder da atonalidade
Cult of the Lamb captura a atenção pela antítese e atonalidade: como o design fofo trata de um tema negativo com louvor e o que podemos aprender com esse game para a nossa comunicação corporativa do dia a dia. Atonalidade não é novo, mas está sendo muito bem aplicada nesse game e vale entender como ela pode ser importante na sua comunicação hoje
25.11.2025

Não sou um gamer. Estou longe disso. Mas um jogo me cativou tanto que me fez comprar um console: Cult of the Lamb. Sim, há um feitiço visual em Cult of the Lamb: você é um cordeiro de olhos redondos (que de tempos em tempos escorrem sangue) que foi sacrificado em um ritual demoníaco. Tem a oportunidade de retornar, sob a tutela do próprio coisa ruim, para montar um culto satanista e sanguinolento para a sua adoração e angariar cada vez mais seguidores. Forte né? Sim… e mesmo com todo esse background, a sorrimos ao ligar o jogo.
E foi exatamente esse curto-circuito entre os “Teletubbies” e o sétimo círculo do inferno não é acidente; é um método criativo. Um dos criadores explicou que a arte fofa permite “colocar coisas horrendas no jogo sem que pareçam horríveis demais” — um amortecedor estético que abre espaço para temas pesados sem repelir o jogador. Essa antítese entre tema e visual é genial e você pode usar na sua comunicação corporativa para tratar de conteúdos negativos.
E como essa estratégia criativa funciona? Podemos separar ela em três camadas de atenção, sendo que na primeira temos a (1) Incongruência produtiva: quando forma e conteúdo colidem, o cérebro liga a atenção. Porque existe algo que não faz sentido aqui. Esse é o mecanismo base do humor, por exemplo. O prazer em “resolver” o desencaixe.
Também temos uma segunda camada aqui, que seria o (2) Fofo como softener cognitivo: ver imagens fofas estreita o foco e desperta cuidado/proteção. Além disso, temos também a (3) Curiosidade mórbida sem risco: quando o “escuro” vem mediado por uma moldura segura (a fofura), tocamos o proibido com luvas de proteção, como fazemos com filmes de terror.
Aliás, do cinema vem uma metáfora útil: montagem atonal em Eisenstein — quando planos de “tons” conflitantes se chocam para gerar uma vibração emocional nova. Cult of the Lamb faz algo análogo no design: junta doçura visual e sacrificial e cria um terceiro efeito — o fofo macabro, que captura atenção e dá passagem a conteúdos difíceis.
Ou seja, se você tem temoas complexos, negativos ou que gerem conflitos no seu público, essa técnica pode ser bem aplicada. Técnica que soma a montagem atonal do Einsenstein com design em camadas de atenção para se tocar em assuntos difíceis. Nós aplicamos muito esse caminho criativo aqui na MonkeyBusiness, estúdio de animação, vídeo e apresentações corporativas – uma vez que nós somos muito chamados para resolver esses problemas de comunicação de temas complicados. E você pode tentar também! Faça como os seguidores do cordeiro infernal no jogo, e crie mais comunicações atonais.
Essa camada criativa pode te ajudar a se comunicar melhor quando o assunto não ajuda. Lembre-se que a ideia não é enganar o público, e sim embalar essas informações de forma que ele entanda melhor e diminua a resistência. Boa Sorte!
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