cult of the lamb, ofofo infernal e o poder da atonalidade

Cult of the Lamb captura a atenção pela antítese e atonalidade: como o design fofo trata de um tema negativo com louvor e o que podemos aprender com esse game para a nossa comunicação corporativa do dia a dia. Atonalidade não é novo, mas está sendo muito bem aplicada nesse game e vale entender como ela pode ser importante na sua comunicação hoje

Marco Franzolim

25.11.2025

cult of the lamb, ofofo infernal e o poder da atonalidade

Não sou um gamer. Estou longe disso. Mas um jogo me cativou tanto que me fez comprar um console: Cult of the Lamb. Sim, há um feitiço visual em Cult of the Lamb: você é um cordeiro de olhos redondos (que de tempos em tempos escorrem sangue) que foi sacrificado em um ritual demoníaco. Tem a oportunidade de retornar, sob a tutela do próprio coisa ruim, para montar um culto satanista e sanguinolento para a sua adoração e angariar cada vez mais seguidores. Forte né? Sim… e mesmo com todo esse background, a sorrimos ao ligar o jogo.

E foi exatamente esse curto-circuito entre os “Teletubbies” e o sétimo círculo do inferno não é acidente; é um método criativo. Um dos criadores explicou que a arte fofa permite “colocar coisas horrendas no jogo sem que pareçam horríveis demais” — um amortecedor estético que abre espaço para temas pesados sem repelir o jogador. Essa antítese entre tema e visual é genial e você pode usar na sua comunicação corporativa para tratar de conteúdos negativos.

E como essa estratégia criativa funciona? Podemos separar ela em três camadas de atenção, sendo que na primeira temos a (1) Incongruência produtiva: quando forma e conteúdo colidem, o cérebro liga a atenção. Porque existe algo que não faz sentido aqui. Esse é o mecanismo base do humor, por exemplo. O prazer em “resolver” o desencaixe.

Também temos uma segunda camada aqui, que seria o (2) Fofo como softener cognitivo: ver imagens fofas estreita o foco e desperta cuidado/proteção. Além disso, temos também a (3) Curiosidade mórbida sem risco: quando o “escuro” vem mediado por uma moldura segura (a fofura), tocamos o proibido com luvas de proteção, como fazemos com filmes de terror.

Aliás, do cinema vem uma metáfora útil: montagem atonal em Eisenstein — quando planos de “tons” conflitantes se chocam para gerar uma vibração emocional nova. Cult of the Lamb faz algo análogo no design: junta doçura visual e sacrificial e cria um terceiro efeito — o fofo macabro, que captura atenção e dá passagem a conteúdos difíceis.

Ou seja, se você tem temoas complexos, negativos ou que gerem conflitos no seu público, essa técnica pode ser bem aplicada. Técnica que soma a montagem atonal do Einsenstein com design em camadas de atenção para se tocar em assuntos difíceis. Nós aplicamos muito esse caminho criativo aqui na MonkeyBusiness, estúdio de animação, vídeo e apresentações corporativas – uma vez que nós somos muito chamados para resolver esses problemas de comunicação de temas complicados. E você pode tentar também! Faça como os seguidores do cordeiro infernal no jogo, e crie mais comunicações atonais.

Essa camada criativa pode te ajudar a se comunicar melhor quando o assunto não ajuda. Lembre-se que a ideia não é enganar o público, e sim embalar essas informações de forma que ele entanda melhor e diminua a resistência. Boa Sorte!

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