UM FESTIVAL DE ANIMAÇÃO EM TAMPA QUE O BRASIL PRECISA CONHECER
Existe uma coisa maravilhosa em trabalhar há muito tempo com criatividade: de vez em quando você descobre que ainda existem lugares capazes de bagunçar (no bom sentido) o seu repertório. Foi o que aconteceu quando conheci o Tampa Animation Festival
14.09.2026

Eu confesso que não conhecia o Tampa Animation Festival até Dana Corrigan e Santiago Echeverry entrarem em contato comigo. Dana é professora de animação e Santiago, professor de Film, Animation and New Media, é um dos fundadores do evento e cuida também de sua presença digital e das relações internacionais. E agradeço muito aos dois por terem aberto essa janela, porque comecei a assistir a alguns dos trabalhos e aconteceu aquilo que considero um dos melhores sintomas possíveis para alguém que vive de criação: comecei a salvar referências. Muitas. E isso é ótimo! O festival nasceu em 2018 dentro da University of Tampa pelas mãos de Gregg Perkins, Warren Cockerham e do próprio Santiago Echeverry. E já começou com relevância interessante: a edição inaugural recebeu Brad Schiff, ex-aluno da universidade e animador da LAIKA, para apresentar Coraline e conversar com os estudantes. Coraline, meus queridos. Ou seja, é lá onde as grandes ideias do Motion Design surgem.
A ideia original era realizar o festival a cada dois anos, mas 2020 apareceu com aquela delicadeza que todos lembramos e interrompeu o calendário. Assim, o evento voltou com força em 2025 e, a partir de agora, passa a acontecer anualmente. Curadoria rigorosa e alcance global E é justamente essa volta que chama a atenção. A edição de 2025 recebeu 852 inscrições e selecionou 144 filmes de 38 países, uma taxa de aceitação de apenas 16,9% — ou seja, uma curadoria que nosso algoritmo mental (e espaço de cloud) agradecem. Mas número sozinho nunca garante repertório, claro. O que impressiona é de onde vêm esses trabalhos:
CalArts, Gobelins e Sheridan College;
RISD, SCAD, UCLA e USC;
Aardman Academy e Royal College of Art;
Filmakademie Baden-Württemberg, entre muitas outras escolas.
O Brasil também esteve entre os países representados. E quando você começa a navegar pela programação, a ideia de “festival universitário” (que os menos atentos poderiam interpretar equivocadamente como uma mostra interna de trabalhos de estudantes) desaparece rapidamente. Há animação narrativa, experimental, documental, stop-motion, filmes autorais, produções profissionais e trabalhos de estudantes convivendo no mesmo espaço. Na edição passada, por exemplo, havia desde Arco (de Ugo Bienvenu), até produções vindas de escolas espalhadas pela França, Alemanha, Finlândia, China, África do Sul, Israel, México, Rússia e por aí vai. É quase uma pequena ONU do Motion Design.
O valor do repertório e o impacto no design corporativo
E acho que é aí que está a grande riqueza desse festival para quem trabalha com comunicação visual. Afinal, assistir animação serve para nós termos a oportunidade de renovar fotografia, direção de arte, composição, ritmo, montagem, storytelling, design de personagens, uso de tipografia, cor, textura e principalmente aquilo que é mais difícil explicar numa reunião: apurar a nossa sensibilidade estética.
Dessa forma, um curta de três minutos feito por um estudante em algum canto da Finlândia pode apresentar uma solução visual mais interessante para um problema de comunicação do que cinquenta horas navegando por referências já consolidadas no Pinterest. Enfim, festivais de vanguarda assim funcionam como radares de linguagem. E, para mim, esse talvez seja o motivo mais interessante para acompanhar o Tampa Animation Festival.
Essa busca permanente por repertório faz parte também do nosso trabalho aqui. Nós da MonkeyBusiness vivemos animação, vídeo e design todos os dias e construímos nossa posição na criação de Apresentações Profissionais, Animações Criativas e Vídeos Corporativos, equilibrando qualidade, eficiência e criatividade. E isso só é possível se o nosso olhar não ficar restrito ao universo corporativo. Isso porque, se você só assiste a vídeos corporativos para criar vídeos corporativos, em algum momento começará a criar o mesmo vídeo corporativo para sempre. O repertório precisa vir do cinema, da pintura, dos videoclipes, da fotografia, dos games, da ilustração e, evidentemente, de festivais de animação como esse.
É justamente quando uma estética criada sem nenhuma preocupação com PowerPoint, LinkedIn ou manual de marca atravessa a fronteira e entra numa animação ou apresentação empresarial que as coisas começam a ficar interessantes. Afinal, criatividade quase nunca é criação a partir do nada. Umberto Eco já falou isso com muito mais propriedade, dizendo que cultura é uma enorme rede de signos conversando com outros signos. E o trabalho criativo está em fazer conexões que ainda não ficaram óbvias.
Convite à comunidade criativa
Por isso, minha recomendação para quem trabalha no Brasil com animação, motion design, audiovisual, direção de arte ou simplesmente gosta de curtas animados é simples: acompanhe o Tampa Animation Festival.
A próxima edição acontece de 5 a 8 de novembro de 2026, novamente na University of Tampa, e as submissões estão abertas até 21 de setembro. As sessões do festival são gratuitas e abertas ao público (uma decisão que Santiago associa diretamente ao espírito acadêmico de democratizar o acesso à animação).
Então, obrigado novamente, Dana e Santiago, pela conexão. O Tampa Animation Festival acaba de entrar no meu radar. E, se você trabalha com imagem em movimento e está procurando o que ainda não virou tendência, talvez devesse entrar no seu também. O acesso está disponível em: https://www.tampaanimationfestival.com/
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