O nosso negócio é uma metamorfose ambulante, o mercado de comunicação sempre foi uma metamorfose ambulante. Ele passou muito tempo em uma fase dessa metamorfose que perpetuou até nos últimos tempos e acelerou mais por conta do crescimento comercial da tecnologia. Tudo acelerou a mudança que está ocorrendo no momento. Esperada, mas impactante.

 

Luiz Buono, Líder da Agência Fábrica, tem muita experiência e 22 anos de Fábrica, sabe muito bem quando fala que essa alteração do negócio veio de forma necessária. “ Os novos negócios vêm na esteira dessa mudança desenfreada, vem da necessidade de andar um passo à frente do mercado, do consumidor. Porque não dar o próximo passo é morte anunciada ”

Com o aumento de número de startups espalhadas pelo território brasileiro, o mercado encontrou-se confrontado por modificações promovidas em seu modelo de negócio. Além de ter que estar um passo a frente das tecnologias tinha que competir com todos os novos modelos a sua volta e saber como se diferenciar deles é o essencial.

“Negócios publicitários são voltados às pessoas. Eles simplesmente acompanharam as mudanças nas pessoas, que muito do que mudaram veio das novas tecnologias. Mas uma coisa é certa, a comunicação demorou muito nessa mudança porque está amarrada num modelo de negócio que não permite muita liberdade: a receita proveniente de veiculação de mídia. Quem se libertou disso, evoluiu, ocupou espaços, cresceu. ” Explica Luiz Buono, que vem acompanhando essas mudanças e já tem sua agência preparada.

Para Andre Machiaverni, copresidente e CSO da MeZA, não é muito diferente, ele comenta que a empresa tenta acompanhar a evolução das coisas e sempre pesquisar ao fundo o que cliente precisa.  “Cada empresa é uma história diferente, cada uma tem uma necessidade especifica, cada uma tem uma coisa que é mais forte, e outra que é mais fraca.  As próprias empresas são um ecossistema por si só. ” pontua Andre.

O sair da caixa, já é um termo “odiado” por algumas pessoas, certas dizem que ele foi utilizado demais, porém ele se encaixa em cada negócio publicitário que procura se inovar e trazer algo novo para o mercado. A própria MeZA, segundo seus sócios, teve como propósito ser um negócio criativo, de comunicação, de soluções. Muitas vezes eles não se encaixavam nas categorias pré-selecionadas das empresas, não eram de marketing, off-line ou apenas de BI, eles eram um todo. “A gente está aqui tentando resolver e encontrar a solução mais adequada. Todas essas diferentes situações é o que a gente, vive no dia a dia, faz com que a gente seja completamente hibrido no nosso formato de atuação.

Marcelo Zampini, copresidente e CCO da MeZA, explica que a agência vem de uma coisa que nem ele e nem seu sócio acreditavam mais no mercado, então eles foram criar algo que eles acreditassem.  “A gente saiu da linearidade, começou a olhar para as marcas que a gente gostaria de atender. Por que na verdade o que a gente fazia era tentar entender como a gente poderia pegar essa marca e resolver o ecossistema de marca de vários pontos de vistas, estrategicamente sobre o olhar de negócio, comunicação, trabalhar essa integração dos canais. ”

As grandes empresas ainda são muito boas em manter seus padrões de qualidade, mas, com o surgimento praticamente diário de empresas menores, ambiciosas e talentosas, o mercado está mais agitado e diversificado do que nunca. Quando colocadas lado a lado, os negócios publicitários não se parecem organizações tão diferentes. No entanto, à medida com que você se aproxima de cada um deles, você percebe aonde alguns se destacam e aonde eles levam suas diferenças.  A tecnologia fez com que o consumidor se aproximasse cada vez mais do mundo de comunicação e eles perceberam quais empresas estão se adaptando e além de sobreviver ao mercado, eles estão criando sua marca única nesse ramo.

Além da mudança de algumas agências que já sentiram a necessidade do mercado, negócios publicitários como a ZAHG vem de sua maneira promover a transformação. Márcio Jorge, Sócio e Diretor de Inteligência da empresa, comenta que a partir do momento que o mercado começa a ficar mais exigente por parte dos clientes e começam a aparecer mais empresas como a própria ZAHG, que propõe abranger novas áreas e atender de formar personificada, fica claro que o mercado percebe que precisa estar se desenvolvendo também.

“A pergunta que fica é o quanto que essas empresas querem e estão dispostas a desenvolver isso. Então quando você cria um modelo que hoje está limitado a comprar, a vender mídia né, e você fala “ah eu tenho o BI”, mas você não investe em pessoas. É uma estrutura que demanda investimento, é uma aposta da empresa neste mercado, um mercado que a gente acredita e aposta. Talvez existam outras empresas que vão oferecer a mesma coisa, mas tem que ver o quanto essa empresa está disposta e tem a capacidade de entregar realmente aquilo que vende. Mas eu acho que é um caminho inevitável, os clientes desenvolveram absurdamente nos últimos dez anos e vem cada vez mais rápido, entenderam também que precisam cada vez mais conhecer e saber sobre o digital e foram ao mercado buscar profissionais, porque eles viram que precisavam conversar com as agencias de igual para igual. Então com clientes mais capacitados, com agencias precisando responder a esses clientes, isso gera uma demanda de fornecedores que precisam entregar isso, então o mercado se auto regula. Vão existir cada vez mais empresas que oferecem esse serviço e o nosso papel é está um passo à frente. “ esclarece Márcio.

Porém como se manter atualizado em um mercado que se move na velocidade da luz? Ainda mais competir com empresas que são de desenvolvimento como Facebook, para atendê-los você precisa sempre estar um passo a frente.

Para Anselmo Ramos, CCO e Fundador da GUT, manter a curiosidade sempre como um valor fundamental. “Seja mega curioso. Tik Tok está na moda? Entenda o que é. Talvez você nunca use para seus clientes, mas é importante pesquisar e ver porque está crescendo tanto. Leia tudo. Assista tudo. Clique em tudo. E tenha o bom senso para escolher o que usar para cada cliente, de acordo com o posicionamento e a personalidade de cada marca. ”

Ele acredita que as agências e as marcas têm que correr atrás das pessoas. Por que elas estão anos-luz à frente de (nós) publicitários. É apenas parar e olhar o conteúdo que elas postam todo dia: os memes, os gifs, os stickers. “Por mais rápido que a gente corra para entender o que está acontecendo, vamos estar sempre correndo atrás. Nosso grande desafio é ser tão rápido e criativo como o consumidor. “explica Anselmo Ramos, que já selecionado para listas como o Ad Age “The Creativity 50 2015 e 2017”, Business Insider “As 24 pessoas mais criativas em publicidade no momento”, Adweek “Os 50 principais executivos que fazem girar as rodas” e “100 mais criativos Pessoas 2016. ”.

Além de pensar em métodos para estar à frente do mercado, qual será essa “frente” do mercado? 2020 é já no próximo mês, mas será que mudanças virão? Direto da AKQA em São Paulo, dos responsáveis e fundadores de Diego Machado e Hugo Veiga, a ideia de futuro do mercado não é algo tão distante assim. “O futuro pode passar pela extinção da palavra adverstising para algo como brandvertising. Hoje, as marcas possuem um conjunto vasto de plataformas para se expressarem e poderem relacionar com seus consumidores. Elas podem produzir novos serviços, entretenimento e ousar mais em seus movimentos de comunicação. Nesse contexto, meios tradicionais de comunicação continuam fazendo sentido, mas o seu conteúdo precisa ser menos focado na marca em si e mais em seu impacto cultural e social. “

O conteúdo vai ser foco principal do próximo ano, porém a dominação das novas tecnologias também. No entanto de nada adianta tecnologias como AI e Bots, se não existem pessoas para coordená-las. Buono frisa, “Não adianta nada a inteligência artificial se ela for um “saco” para as pessoas. De que adiantam ambientes imersivos se não é isso que as pessoas querem. Não basta descobrir a próxima onda de tecnologia, mas sim como usá-la para que as pessoas se sintam bem, se encantem. Imagine um carro autônomo, para uma pessoa que gosta de conversar com o motorista? Imagine uma “Alexa” para quem odeia falar com a máquina! Imagina um óculos de realidade virtual para um claustrofóbico!! Tudo vale, desde que valha para as pessoas. “

O que vai diferenciar os negócios publicitários nesse futuro próximo é o pensamento critico, criatividade e o saber fazer as perguntas certas. Muitas coisas que antigamente eram responsabilidades de uma agência, elas deixaram de ser pois não tem mais a necessidade de ter um fornecedor para fazer aquilo, a tecnologia já absorveu essa demanda.   Então o que vai “manter” os publicitários é ter habilidade de desenvolver algo que além de ser criativo, influência as pessoas e saiba manter vivo o ecossistema da marca.  Esse é o futuro e por isso que esses negócios viram tendência.

 

Confira também entrevista completa com Luiz Buono em nosso novo episódio do Adtalks: