Já parou para pensar como está a sua relação com os seus clientes, com seus funcionários, ou colegas próximos no mundo corporativo? O mundo está invertendo os seus valores, e isso não é de hoje. As relações estão se tornando cada vez mais automáticas, os processos burocráticos se sobressaem e acabam com toda a graça e magia de se comunicar. Pensando nisso, com toda a visão do atual mercado, a agência Bullet levanta a bandeira de um novo movimento presente aqui no Brasil, a #issotemvalor. Conversamos com Fernando Figueiredo, CEO da Bullet, que nos contou um pouco mais sobre a sua intenção de resgatar as relações com valores, reconhecimento e diálogo. 

 

‘Não é nem muito um movimento, na verdade.’

Fernando, em diversas oportunidades, ressaltou a importância de não dar os créditos para a sua própria agência ou para si mesmo. “Na verdade, eu não queria que isso fosse uma bandeira da Bullet, nem do Fernando. É uma bandeira que faz com que haja diálogo e haja conversa entre todos os lados para reposicionar esse estabelecimento de valor novamente”. 

O intuito disso tudo é proposital para que essa ideologia consiga ser abraçada por mais agências, por mais pessoas e se torne um movimento de todo o mercado. Fernando nos conta que, a partir do momento em que as pessoas começam a questionar os prazos, os pagamentos, o outro lado esquece de querer saber o porquê. “Por que isso está acontecendo? E a gente começa a perceber, principalmente, porque muitas vezes uma ideia está virando commodity. Então, principalmente agora, neste momento de pandemia, onde todo mundo está repensando seu modelo de negócio, repensando as relações, pensando em como as coisas realmente acontecem, achar o valor das coisas é fundamental”, diz ele. 

Os valores estão superfaturados atualmente, seja de agência exagerando o valor de cliente ou o próprio cliente exagerando no valor da agência, e isso faz com que o ‘valor da ideia’, o mais importante, seja deixado de lado. E é aí que está o problema. “Ninguém enxerga o seu valor e topam tudo por dinheiro.” E partir do momento que se começa a discutir realmente o que tem custo e quais são os valores, todos começam a entender os pontos em que estão errando e começam a dar mais valor ao trabalho.

 

E como tudo isso começou? 

O diretor executivo pensa que não há um certo momento na história onde os valores se inverteram. “Acho que tudo isso foi uma questão progressiva. Se você analisar como a gente trabalhava há vinte anos atrás, eram menos recursos, menos informações, menos processos e as pessoas realmente trabalhavam com as emoções à flor da pele”, relembra Feof. 

Isso se deu após a fragmentação da comunicação dentro de uma empresa, ou seja, para um melhor desempenho de uma empresa, diversas pessoas são designadas para funções e precisam entregar resultados em prazos determinados e, automaticamente, burocratizando a comunicação. Além disso, externamente, quando se trata de concorrência, o processo e a visão de valores também se perde. “Quando você entra em uma concorrência com dez agências é porque realmente o valor se perdeu”. E ainda complementa. “Todo mundo está procurando uma boa ideia e ponto final. E muitas vezes a ideia que estão procurando é a ideia mais barata, né?”.

Em sua experiência fora do país, Figueiredo conta que percebeu a diferença entre os mercados e conseguiu entender que havia uma enorme falha de valorização no Brasil. “Quando você pega o mercado americano, existe uma questão cultural que ajuda muito o processo. A base das relações americanas é pautada pela confiança. As pessoas confiam em você em primeiro lugar e depois elas desconfiam, mas a base disso tudo é a confiança – e é uma coisa que não existe no Brasil, por décadas”.

“Aqui (EUA) não precisa ter mesa de compras, não precisa ter três orçamentos, não precisa ter concorrência, porque o cliente quando ele te contrata ele entende claramente qual é o seu valor, e se você não entregar valor para ele você está fora!”. Já no mercado brasileiro: “É um pouco diferente, porque o cliente não enxergou seu valor e vai fazer concorrência com várias agências, já que ele continua não enxergando valor nas relações, ele vai continuar fazendo concorrências.”

 

“Se todo mundo comprasse essa causa…”

“Seria muito legal. E é claro que isso vai transformar o mundo em um lugar melhor, né? De forma utópica, é claro, mas eu digo assim, eu não preciso chegar no mundo perfeito, eu preciso fazer amanhã ser melhor do que foi ontem! E vou fazendo isso dia após dia”. E essa foi a ideia implementada na Bullet, de forma bem natural, onde o executivo explica que a ideia não saiu dele, e sim por um processo coletivo dentro da própria agência. “Não fui eu que ‘startei’ esse processo. Eu não quero rotular esse processo como um movimento da Bullet, do Fernando, eu queria que o mercado abraçasse isso.”, ele ainda explica que toda essa desvalorização não é culpa de ninguém, e por isso todos podem se juntar e revolucionar o mercado. 

Feof ainda conta que já vê resultados positivos e que tem conversado bastante com pessoas próximas e todos estão procurando o diálogo, a cura para todos os males. “Conversar é muito importante, porque você começa a ouvir outras opiniões, começa a ouvir outros lado, e isso é legal, né? O diálogo é importante no processo.”, disse o CEO e ainda questionou: “Quando alguém julga o trabalho de um cliente, o que realmente está acontecendo? Será que ele está fazendo isso porque ele não está reconhecendo o valor do teu trabalho?”.

E ainda faz uma alusão a situação do mercado com uma das relações de conversas comuns entre os empresários. “Quando se tem uma empresa listada na bolsa de valores, de 6 em 6 meses, ela tem que se reunir com os investidores para contar como ela está indo, e isso nada mais é do que uma construção de valores, uma manutenção de valor. Se ela não consegue estabelecer o valor dela as ações caem, e é exatamente isso que está acontecendo no nosso mercado”. conclui Fernando Figueiredo.

 

“E ao reconhecer o valor…”

“Ao reconhecer o seu valor o funcionário vai trabalhar melhor e ao trabalhar melhor vai trazer mais performance, logicamente. É uma coisa ligada a outra o tempo todo! Não falo só de imagem, eu falo de buscar a forma correta de nos relacionar porque isso vai construir melhor a nossa relação e isso vai fazer com que a empresa se desenvolva mais, entendeu?”