Atualmente, os conteúdos publicados no YouTube e em outras plataformas estão diversificados entre categorias e faixa etária. Entretanto, no ano passado, o YouTube deixou a desejar e com base na investigação de privacidade de crianças,  a empresa terá que arcar com uma multa de US$ 170 milhões, aplicada pelo órgão regulador comercial dos Estados Unidos, a FTC.

O caso nos leva a um impacto nas novas plataformas digitais, nos criadores e anunciantes de conteúdo como um todo. Isso, consequentemente, traz opiniões negativas dos criadores de conteúdo, sobre as novas políticas. O fato é que o público infantil representa um terço de toda a audiência mundial, no YouTube, segundo a TubeLab, empresa especializada em métricas e análise de conteúdo digital.

A audiência cresce ainda mais, em comparação, aos conteúdos adultos. No Brasil, a média chega a 300% mais visualizações do que os demais vídeos.

Os especialistas Fred Furtado, Felipe Pacheco e Sérgio R. R Vieira explicam um pouco mais sobre essa nova política de proteção infantil no YouTube, e a consequência que atingem os criadores, com a menor arrecadação com seus conteúdos.

“A plataforma está sofrendo uma profunda transformação no que tange ao público infantil e agora solicitará aos criadores que classifiquem cada um de seus vídeos direcionados a crianças menores de 13 anos, com o objetivo de gerenciar seus conteúdos de acordo com a lei americana, considerada o padrão da indústria no que tange a proteção de crianças na internet.”, revela um pouco mais sobre a nova política, Fred Furtado, CEO da TubeLab.

“É necessário que o debate sobre a publicidade infantil seja realizado com base em duas premissas basilares: por um lado, a proteção inexorável dos interesses indisponíveis da criança e, por outro lado, a consideração dos aspectos econômicos envolvidos em tal modalidade, já que há geração de empregos, renda e, do ponto de vista da utilidade, ainda pode ser utilizada apenas com finalidade educacional, sem lucro”, comenta a importância da mudança, Felipe Pacheco, sócio institucional do escritório Nelson Wilians & Advogados Associados.

Já no campo jurídico, na opinião do Dr. Sergio R. R. Vieira, sócio diretor da Nelson Wilians Advogados, a legislação deve se moldar a realidade.  “O fato é que as redes e mídias sociais são a realidade atual e não é viável tentar aplicar uma legislação de uma outra época e outro contexto ao presente momento Devemos sim preservar direitos fundamentais, individuais e indisponíveis, contudo, estando sempre atentos as mudanças sociais, culturais e tecnológicas”.

O especialista Felipe mostra que a sociedade também pode ser contemplada por esse debate. “A questão que está sendo posta à sociedade é justamente a criação de ferramentas para maior controle desta modalidade de publicidade, sem que haja a necessidade de uma proibição total pura e simples. Neste ponto, as plataformas digitais serão o maior desafio”.

Agora, com a nova mudança, os anúncios personalizados, os comentários, e os likes/deslikes serão removidos, quando o vídeo for classificado como adequado para crianças. O canal também não irá mais enviar notificações, para seus seguidores, além de não ser mais permitido as doações aos criadores. “O impacto dos novos regulamentos do YouTube é de extrema importância devido ao estreito relacionamento que existe entre as crianças e a plataforma”, diz Furtado.

A insatisfação foi clara para muitos criadores de conteúdo, publicando até em suas redes sociais, suas opiniões sobre à significativa queda na receita gerada pelos seus vídeos. Criando até uma petição no Chance.org.com e a esperança é que as assinaturas cheguem em 1 milhão.

Em contrapartida, o Youtube também se pronunciou e anunciou a criação de um fundo global de US$ 100 milhões para auxiliar na criação mais apropriada para o público infantil. “A ideia é incentivar a produção conteúdo de qualidade, principalmente num panorama em que a fonte de renda de criadores deve diminuir, tanto para o YouTube como para os criadores de conteúdo.”