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A inteligência artificial está revolucionando a tecnologia, a indústria criativa, e o jornalismo não é exceção. Então, como garantir que essa tecnologia seja usada de forma ética e responsável? Na coluna de hoje, vamos mergulhar em um debate ético que ilustra os desafios da IA no jornalismo. 

Adam Singolda, CEO e fundador da Taboola, escreveu uma análise perspicaz em seu artigo “Debate ético na era da IA: OpenAI, New York Times e o caminho para a inovação responsável”, que gostaria de compartilhar com vocês hoje. Adam vai além de apontar culpados e explora as nuances do problema, questionando os resultados desejados, a cultura e os valores em jogo. Este é um olhar perspicaz sobre a interação entre tecnologia e jornalismo, contribuindo para a reflexão sobre o papel da IA no cenário midiático atual.

Nas notícias, o New York Times está processando a OpenAI, expressando seu incômodo com o uso de conteúdo jornalístico para treinar a IA. E quem não ficaria? Sem pagamento, sem atribuição. Isso não é legal. Se olharmos para trás, podemos identificar um cenário semelhante há quase uma década, quando a Meta (na época, Facebook) lançou o Instant Articles em 2015. Apesar de utilizar artigos valiosos e árduo trabalho jornalístico, o Facebook pagava pouco (ou nada) aos publishers, deixando de enviar tráfego significativo para eles. O resultado? Muitos publishers, incluindo o New York Times, abandonaram o Instant Articles. Agora, dez anos depois, a dinâmica se repete com a OpenAI.

A OpenAI argumenta que tem o direito de usar notícias publicamente acessíveis para treinar sua IA, talvez comparando isso ao rastreamento da web pelo Google. No entanto, em muitos debates, a questão não é quem está certo, mas qual é o resultado desejado, a cultura, identidade e valores envolvidos.

Agora, olhando para frente, a OpenAI tem a chance de se tornar uma força positiva, apoiando o jornalismo, promovendo conteúdo de alta qualidade e a open web. Ou pode optar por não fazer isso e seguir outro caminho. Se os 100 principais sites do mundo (Wikipedia, New York Times, Reddit, etc.) bloquearem a OpenAI ou até exigirem que ela desative os dados de sua última varredura, a empresa perderia muito valor. Por outro lado, a IA Generativa é uma revolução significativa que talvez não possa ser ignorada.

Na minha opinião, a OpenAI fará a coisa certa. Há relatos de que estão considerando pagar até US$5 milhões para licenciar conteúdo de publishers para treinar sua IA. E, do meu ponto de vista, a OpenAI deve pagar o que os publishers quiserem e mais. Ao contrário do Facebook, que é uma empresa 100% de publicidade, a OpenAI tem a oportunidade de colocar sua tecnologia nas mãos de centenas de milhões de usuários por meio de parcerias com contas corporativas em todo o mundo e cobrar por isso. Na verdade, eles podem cobrar muito caro por isso, se compararmos quanto às contas corporativas pagam pelos serviços de nuvem, isso pode facilmente ser uma receita de US$100 bilhões por ano para a OpenAI. Isso sem mencionar que a OpenAI será lembrada por estar do lado certo da história, ao contrário do que o Facebook fez com os publishers e a open web.

Dada a relação entre a Microsoft e a OpenAI, vejo a Microsoft como uma parceira mais adequada para o jornalismo do que o Facebook já foi. Isso também me faz pensar que a OpenAI fará a coisa certa, e onde o Facebook falhou, a Microsoft terá sucesso em fortalecer a open web e o jornalismo, pagando às equipes editoriais pelo conteúdo importante que produzem. 

Como pai, compreendo a importância dessa questão. Precisamos de uma open web e de um jornalismo robusto, especialmente com as redes sociais ameaçando o futuro de nossos filhos com tanto ódio e notícias falsas – eu escrevi sobre isso para a CNBC. As redações de jornalismo são essenciais para esse enfrentamento. Em resumo, estou otimista. Minha opinião é que a OpenAI fará a coisa certa.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do veículo

 

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