Por que esperamos uma boa Black Friday na crise?

Por que esperamos uma boa Black Friday na crise?

Mesmo com dólar alto, desemprego crescente e efeitos ainda presentes da pandemia, existem razões para acreditar em altas nas vendas neste ano

A Black Friday de 2021, em 26 de novembro, tem tudo para apresentar um resultado extremamente positivo para o varejo brasileiro. Sim: a despeito da alta do dólar, da altíssima taxa de desemprego e de outros números que compõem um cenário de crise econômica, existem razões para otimismo sobre a data. Entender essa perspectiva é também muito importante para debater características do mercado, e por isso eu gostaria de propor uma reflexão sobre o contexto deste ano.

Para usar um clichê do início da pandemia, a Black Friday de 2021 será a primeira de um “novo normal”. As taxas de vacinação avançaram, e os números da Covid-19 arrefeceram. O consumidor, que aumentou consideravelmente o hábito de compra online durante os meses em que ficou em casa, agora pode escolher como ter contato com as lojas e os vendedores.

A partir disso, surge uma valorização da experiência de compra omnichannel, que integra todos os canais de venda e a comunicação. Ter uma boa estratégia de e-commerce nunca foi tão importante, já que muitas pessoas ainda querem comprar no conforto de casa, analisando preços em sites diferentes para tentar tomar a melhor decisão. Ao mesmo tempo, também existem aqueles que querem ir até a loja física para retirar um produto sem pagar frete, ou ir até a loja para conhecer melhor o item antes de comprar pelo site, por exemplo. 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Global Web Index em 2021, o Brasil é o país que mais pesquisa sobre uma marca online antes de comprar em todas as faixas etárias. O percentual da população que realiza essa prática é de 74,6%, considerando pessoas entre 16 e 64 anos. Além disso, é de conhecimento geral que as compras online cresceram como nunca entre 2020 e 2021 e, mesmo após a vacinação e o início da retomada das atividades sociais, as compras pela internet cresceram 46,5% no segundo trimestre deste ano, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito (Abecs).

Nesse sentido, a Black Friday se apresenta como uma data-chave para promover as primeiras compras de clientes novos e a recompra dos atuais. Quando falamos de vendas online, é preciso entender que elas são muito importantes não só para atrair, mas também para fidelizar compradores. E tudo isso tem ligação direta com uma boa experiência de compra, que é flexível e se adapta às necessidades do comprador, atendendo com boa velocidade e qualidade.

A Black Friday de 2021, portanto, não será totalmente online, como aconteceu no ano passado, mas já conviverá com as mudanças de comportamento provocadas pelo crescimento da conectividade desde o início da pandemia. A tendência é que isso abarque mais pessoas e perfis diferentes.

Isso nos faz olhar para dois contextos sobre a crise econômica, por exemplo: de um lado, o contexto externo aumenta a importância da Black Friday porque pessoas com menos poder de compra tendem a concentrar gastos na data conhecida pelos descontos expressivos; de outro, o grupo dos mais abastados tem uma demanda reprimida, o que vai ser especialmente relevante em segmentos como os de turismo e de artigos para casa. Neste último caso, espera-se um aumento nas vendas principalmente dos produtos para uso em ambiente home office e lazer.

Conclusão sobre a Black Friday

Com base na análise de dados macroeconômicos somados a uma perspectiva de marketing, é possível concluir que  a Black Friday 2021 está gerando altas expectativas mesmo durante a crise justamente pelo alto potencial de aumento de vendas que a data proporciona, já que atinge tanto aqueles que precisam poupar recursos quanto aqueles que possuem maior poder aquisitivo. 

Em um ano tão cheio de incertezas, nos deparamos também com perspectivas de melhora, especialmente para os varejistas que se prepararam com antecedência para oferecer uma boa experiência de compra no dia 26 de novembro, com destaque para quem se atentou às novas demandas dos consumidores no e-commerce e na loja física.

Por Gustavo Chapchap, coordenador de marketing da ABRADi-SP, CMO da JET e fundador do ZapCommerce
Foto: Divulgação/Gustavo Chapchap
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