Para uma parte considerável da população, sair de casa já é uma realidade. O tão falado ‘novo normal’, que ninguém poderia imaginar, hoje já faz todo sentido para os brasileiros. Varejo e empresas de vários segmentos vêm retomando as suas atividades gradativamente. As pessoas, aos poucos, vão enfrentando o tal inimigo invisível, redobrando todos os cuidados necessários.

Conversamos com o dr. Álvaro Furtado, renomado médico infectologista do Hospital das Clínicas, especialista para o tema Covid-19, sobre quais estratégias do ponto de vista de biossegurança são recomendadas neste retorno gradual das atividades. Qual seria a melhor forma de sair de casa e fazer compras com o máximo de cuidado possível? Como as marcas podem interagir com o consumidor no ponto de venda de forma segura?

 

Infectologista

Infectologista

 

O infectologista firmou recentemente uma parceria com a agência MKT House para um projeto que traz ao mercado um novo modelo de operação de ponto de venda, a partir de protocolos de segurança sob medida, para que as interações das marcas com o consumidor no varejo sejam realizadas da forma mais segura possível, tanto para quem compra quanto para quem vende. Dados de um estudo recente, também realizado pela agência, apontam que a pandemia mudou a forma como os brasileiros compram, mostrando a preferência por lugares onde o consumidor consiga se sentir seguro.

 

 

A pesquisa aponta ainda a ausência de ações de comunicação das marcas no varejo. “Além de preencher uma lacuna de visibilidade no PDV, realizar ações de comunicação no varejo também pode ser uma oportunidade para geração de empregos”, afirma Claudia Rocha, sócia-diretora na MKT House, agência que já abordou mais de 100 milhões de pessoas no varejo e gerou postos de trabalho para milhares de demonstradores em todo o Brasil.

 

 

Confira também a entrevista com o Dr. Álvaro Furtado:  

 

ADNEWS – Dr. Álvaro, você acredita que esse grande índice apontado pela pesquisa realizada pela MKT House, de consumidores que se sentem seguros em participar de ações presenciais, desde que todos os protocolos de segurança sejam seguidos, está ligado à carência e à falta de eventos e ações de marcas há muito tempo?
Dr. Álvaro Furtado:
Existe a pandemia e há muita dificuldade de entendimento do novo funcionamento deste mundo. O consumidor quando pensa em voltar a esse mundo de pós-pandemia ou de transição, quer ver esses protocolos bem claros para que ele consiga ter segurança para voltar a algumas atividades, como por exemplo, as atividades presenciais, sem que corra risco; também para que a pessoa que está divulgando um produto tenha o risco minimizado. Existe realmente uma carência para que esses protocolos sejam bem estruturados, incorporados e as consultorias estão aparecendo no sentido de garantir essa segurança, essa tranquilidade para a retomada das atividades presenciais. Elas são possíveis sim, na medida em que esses protocolos ocorram, e ocorram de forma sistematizada, revisada, científica, de acordo com o que está acontecendo na literatura internacional sobre prevenção.

 

AD – Quais são as medidas que as empresas devem tomar nesse suposto retorno das ações nos pontos de vendas?
Dr. Álvaro: As medidas são múltiplas, que vão envolver desde o treinamento das pessoas envolvidas nas ações presenciais, mais o uso de equipamentos de proteção individual e o distanciamento. O ideal é conseguir na prática do dia a dia de retorno às atividades presenciais incorporar essas atividades e treinar essas pessoas. Então, essas medidas têm de estar bem estruturadas, alinhadas com quem vai vender, no sentido de que eles entendam quais são as medidas de prevenção, e que fique muito claro para o cliente que está consumindo que estas medidas estão sendo realizadas.

 

AD – Esse anseio do brasileiro em retornar às ruas é um fator que pode influenciar em um possível aumento da curva de infectados?
Dr. Álvaro: Realmente, essa vontade do brasileiro em retomar as atividades pode influenciar decisões governamentais e muitas vezes em locais no Brasil onde a epidemia está em um cenário ainda não tão favorável, ainda com aceleração de casos, tem que se tomar muito cuidado com essa questão de voltar às atividades em locais em que o cenário ainda não é favorável. O planejamento de retomada tem que ser feito de forma sistematizada, escalonada, olhando os dados da epidemia. Obviamente o desejo de voltar é grande, mas isso não pode ultrapassar a questão da saúde. É necessário avaliar os três indicadores principais que são o número de casos, o número de óbitos e disponibilidade de leitos de terapia intensiva na área onde está se pensando em voltar às atividades de modo adaptado.

 

AD – Por maior que seja a ansiedade do público, você acha que o país está pronto para se adaptar a este ‘novo normal’?
Dr. Álvaro: O Brasil sim pode estar adaptado para este novo posicionamento na medida que ele use ferramentas e consultorias específicas para isso. Tem que entender que esse funcionamento tem especificidades muitas vezes que quando você está sendo assessorado, instrucionado por alguém que é especialista, que conhece esses protocolos tem muito mais chances de ter uma visão crítica do que está acontecendo e uma implementação adaptada à realidade de quem está querendo voltar às atividades. É possível sim, dentro de um contexto de planejamento, de estruturação, de treinamento, de consultoria para a retomada.

 

AD – Você acha que a nova forma de consumir que adquirimos durante a pandemia terá continuação após o ‘fim da pandemia’?
Dr. Álvaro: Definitivamente a forma de consumir produtos vai mudar durante essa pandemia, a gente vai ter que entender que é um mundo com funcionamento normal. Obviamente o cenário de venda online, do consumo que não esteja atrelado à atividade presencial vai aumentar, mas isso não impede que as atividades presenciais voltem a acontecer, dentro de toda uma proteção, uma biossegurança em relação a quem está consumindo e quem está vendendo um produto. Então é possível, se estruturar um novo funcionamento para as atividades presenciais, desde que eles sejam rigorosos e que se passe tranquilidade e segurança para quem está vendendo e para quem está consumindo um produto.

 

AD – Como você enxerga esta parceria entre as diferentes áreas, como o mercado de live marketing, publicitário e a área médica e de biossegurança?
Dr. Álvaro: A parceria entre as diferentes áreas, a publicidade, a área médica, é muito interessante porque há uma junção da expertise de quem está vendendo um produto de uma forma que pode ser criativa, aliada às sugestões de consultoria médica. A união da criatividade com a biossegurança, é um fator muito interessante para a venda de um produto, porque você está trazendo uma possibilidade de consumir um produto de uma forma segura e criativa. É possível divulgar um produto, mas sem colocar em risco ambas as partes, quem está vendendo e quem está consumindo esse produto.