O aplicativo de idiomas Babbel

Babbel, que é considerada uma das empresas de educação mais inovadoras, lança, em parceria com o movimento Me Too Brasil e o Instituto Maria da Penha, a iniciativa “A violência começa em palavras”.

A campanha serve para alertar a sociedade sobre um tipo de agressão que muitos não enxergam: aquela que começa pela linguagem. Por estarem enraizadas na cultura, palavras e frases são vistas como normais e não como uma agressão que pode, e deve, ser combatida.

Para se referir a uma mulher que se veste do jeito que quer, por exemplo, é usada a palavra “piriguete”. Para os homens, não há um termo correspondente, até porque, a maneira como eles se vestem e se comportam não é alvo desse tipo de crítica.

Outro exemplo pode ser observado no uso pejorativo da palavra “bruxa” para se referir, especialmente, a mulheres mais velhas e que não se restringem ao papel de esposa e mãe. A página da Babbel, em parceria com o Me Too Brasil e o Instituto Maria da Penha, alerta para diversas outras expressões que, além de ferir, ainda podem perpetuar machismo e misoginia.

Iniciativa se junta à campanhas publicitárias

A página da Babbel não é a primeira a abordar o tema da violência verbal. A ONU Mulheres realizou, em 2013, uma campanha publicitária em que abordava o tema.

A ação da organização das Nações Unidas destacava e questionava as associações feitas pelo Google a determinadas pesquisas. Ao buscar por “mulheres deveriam”, o buscador completava a frase com expressões, como “ficar em casa”, “saber o seu lugar”, etc.

 

Uma vez que o Google utiliza algoritmos para fazer associações, isso prova que os usuários buscam esse tipo de conteúdo. Isso porque o buscador funciona como uma espécie de confessionário para diferentes tipos de questionamentos.

Ainda que a mentalidade de grande parte das pessoas não tenha mudado – prova disso é que a violência contra a mulher persiste – o Google reviu essa questão. Em 2020, ao buscar por “mulheres deveriam”, por exemplo, em português, a frase é completada por “mais unidas”.

De fato, as mulheres deveriam ser mais unidas, porém, toda a sociedade deveria se unir a elas para garantir um futuro melhor a todos.

Imagem de StockSnap por Pixabay