A pandemia causada pelo novo coronavírus atingiu com tudo a economia em consequência das medidas de isolamento. Especialmente as agências do mercado de live marketing foram afetadas pela parada generalizada das atividades sociais e coletivas em todo o planeta. E isso aconteceu em um começo de ano em que os eventos estavam decolando, porém com baixos orçamentos, com budget menor que os investidos pelos clientes no ano anterior. Mesmo assim, havia certa esperança nas possibilidades de 2020. Mas a crise chegou e se instalou, pegando as agências sem combustível e sem reserva para rodar sequer um mês sem faturamento.

home office foi amplamente adotado pelo setor, pois é consenso que se deve cuidar primeiro das pessoas. Todos sabemos que é preciso preservar os colaboradores vivos e inseridos na economia. A questão é que o home office produz planejamento, estratégia, ideias, mas não entrega e realiza projetos no live, não traz faturamento ou resultados para que as agências possam sobreviver. Não consegue trazer receita e, consequentemente, preservar empregos.

É verdade que atualmente nós empresários já temos algumas alternativas, como a redução de salários e jornada de trabalho; o adiamento de impostos; as compensações para os trabalhadores; e menores juros nos créditos bancários, entre outras possibilidades. Entretanto, as agências continuam demitindo. O setor não se sente seguro em tomar decisões. Faltam ações alinhadas entre governo, sindicatos e o mercado.

Se houvesse foco no diálogo e em sair da crise, certamente a diversidade de ideias multiplicaria nossas possibilidades de escolhas e de soluções. Teríamos mais calma para discutir e entender que a dispensa imediata de colaboradores treinados traz um alto custo de encargos trabalhistas bem como compromete a estratégia e inteligência operacional da agência. Melhor solução poderia ser manter o colaborador com salário reduzido ou afastado, garantindo ao menos a segurança do emprego e dos benefícios, tão importantes neste momento.

Embora pareça que todos já nascem sabendo fazer “eventos”, a indústria do live marketing necessita de colaboradores experientes e capacitados para que o trabalho aconteça. A magia no nosso mercado só acontece se todos estiverem treinados e em perfeita sintonia. Por isso é triste assistir às demissões e ao desmonte das agências frente à pandemia. Pior ainda é ver como governo e sindicatos estavam, e ainda estão, despreparados para ajudar.

Mais do que nunca, para cuidar das pessoas e do negócio é preciso ter calma. Com calma temos que buscar informações, referências, trocar experiências com outras agências por meio de suas associações de classe.

Nem tudo está perdido se formos agentes ativos na organização do caos. Precisamos separar as boas e as más práticas. Vamos deixar no passado tudo aquilo que vinha matando as agências no dia a dia: o vírus dos longos prazos para pagamento, das concorrências entre mais de quatro agências, do desrespeito e da não remuneração adequada aos trabalhos de criação e planejamento, etc.

Hoje, de forma legítima, podemos marcar nossa posição de importância e respeito no mercado. As agências sairão desta crise menores, sem capital de giro e com um número reduzido de talentos, portanto não poderão mais desperdiçar recursos materiais ou pessoais nos infindáveis processos de concorrência entre várias agências. Por isso precisamos de forma corajosa lembrar as grandes empresas, nossas poderosas clientes, que elas são a parte mais estruturada e forte da cadeia. E que precisam encerrar eventuais práticas predatórias com suas agências. E consequentemente, incentivar que as agências parem de pressionar todos os demais fornecedores envolvidos, que representam, no lado oposto do cliente, a parte mais frágil de nossa indústria.

Vivemos um momento de transparência promovido pelas redes sociais e pela pandemia em que não dá para ir nas redes sociais mostrar que sua empresa está doando alimentos ou passou a fabricar álcool em gel para ganhar aplausos da mídia, quando no dia a dia, essa mesma empresa tem relações predatórias com seus fornecedores e parceiros.

Não dá mais para ser uma empresa cidadã, escolhendo onde ajudar. Não adianta contribuir com uma mão e tomar com a outra. Quando uma grande empresa, neste momento de guerra, por sua força e poder econômico pressiona um pequeno fornecedor, esse fornecedor é obrigado a reduzir a qualidade e a segurança de seus produtos e serviços ao mínimo possível, além de demitir colaboradores, abandonando-os em um mercado sem novas vagas de trabalho.

Para saber mais e participar da construção deste futuro, aproxime-se da Ampro (Associação Nacional das Agências de Live Marketing) ou de sua associação de classe. É importante lembrar que esta crise é coletiva, portanto, você não vai sair dela sozinho. Aproxime-se do seu mercado. Juntos somos mais fortes. 

Por Ronaldo Ferreira Júnior é conselheiro da Ampro (Associação das Agências de Live Marketing) e sócio-fundador da um.a #diversidadeCriativa, empresa especializada em eventos, campanhas de incentivo e trade