A complexidade do futuro na comunicação ou qualquer outro lugar

compolexo

Todo início de ano é a mesma coisa: retrospectivas e projeções para o novo ano.

Enquanto as retrospectivas, além das expostas na mídia, são de propriedade de cada um, histórias individuais, as projeções ficam a cargo de toda sorte de especialistas dos mais variados ramos, capacidades e credibilidades.

O que não importa muito. O que se quer é antever alguma possibilidade positiva em meio a previsões de mortes, catástrofes maiores e menores, casamentos e o que mais ajudar a dar audiência.

Poucas vezes ao final do ano se faz uma retrospectiva das projeções desses mesmos especialistas no ano anterior.

O fato é que, para quem trabalha com planejamento, a tentação de tentar entender antecipadamente o que vem pela frente para pessoas, marcas, cidades, países, é sempre tentadora.

Tarefa cada vez mais desafiadora.

Mas se, aparentemente, a nossa capacidade de cruzar dados nos deixa mais próximos de prever de fato alguns eventos, a complexidade crescente nos remete, na imensa maioria das vezes, à impossibilidade de lidar com esses eventos quando acontecem.

O que fazer diante do mundo complexo no qual todos estamos imersos à nossa revelia?

Importante ressaltar que, embora seja vista como sinônimo de complicado, “complexo” tem outro significado.

Na sua origem, segundo o site origemdapalavra.com.br, “complexo” vem do latim “complexus”: o que rodeia, o que inclui, particípio passado de complecti; rodear, abraçar; formado por “com”, que significa “junto”, mais PLECTERE (tecer, entrelaçar).

Segundo Morin, “se a complexidade não é a chave do mundo, mas o desafio a enfrentar, por sua vez o pensamento complexo não é o que evita ou suprime o desafio, mas o que ajuda a revelá-lo, e às vezes mesmo a superá-lo".

E o pensamento complexo implica pensar com base em diversas origens ou transdisciplinarmente, como propõe o mesmo Morin.

Não é esse o nosso desafio diário? 

A multiplicidade dos canais e formatos, combinada com a quase infinita possibilidade de clusterização, se soma a todos os contextos, que por sua vez se subdividem em conteúdos e ações, avaliados para cada cenário competitivo.

E vai ficar ainda mais complexo.

Neste crescente de variáveis, possibilidades e barreiras, ser apenas um especialista, tanto no trabalho quanto na vida cotidiana, não é mais suficiente.

Como dizia Bernard Shaw, mais atual do que nunca, “o especialista é o homem que sabe cada vez mais coisas num terreno cada vez menor, o que o fará saber tudo… sobre nada”.

Uma boa reflexão para tentar compreender o que vai acontecer com empresas especialistas, generalistas, integradas ou integradoras.

Pensar complexo. Cada vez mais, em mais momentos, em todos os momentos.

Pense no Brasil de 2018 com suas variáveis políticas, econômicas, emocionais.

Teremos uma Copa do Mundo antes de uma eleição.

Curiosamente um momento em que todos se unem antes de outro no qual a divisão, a polarização, quase com certeza, será inevitável.

A única maneira de lidar com o complexo é vivê-lo.

Ainda com Morin, é preciso que se busque compreender a “contradição e o imprevisível, a pluralidade e a unidade, a ordem e a desordem, a partir da convivência com eles, pois esse é o fundamento do pensamento complexo; distinguir, mas não separar.”1

Distinguir, mas não separar, significa nunca perder de vista o conjunto.

Mas é preciso encontrar caminhos.

E o caminho se constitui em duas premissas: viver o problema e buscar as disciplinas que forem necessárias para resolver os problemas.

Ou quando não for possível resolver, viabilizar a convivência. Ou inventar novas soluções.

Ou quem sabe novas questões. Para o agora.

Até porque o hoje é o futuro de ontem.

Feliz 2018. Complexo, desafiador, possível.



1- WAQUIL, Marcia Paul: Princípios da Pesquisa Científica em Ambientes Virtuais de Aprendizagem: um Olhar Fundamentado no Paradigma do Pensamento Complexo.

Marco Antonio Vieira Souto, VP de planejamento da Artplan

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