Vamos falar sobre os mitos e verdades dos influenciadores?

Se alguém algum dia duvidou que pudesse ser possível ganhar muito dinheiro com produção de conteúdo e construção de audiência na internet, se enganou redondamente. Atualmente, ninguém em sã consciência seria capaz de brigar com os números ou ignorar o novo mercado de influenciadores.

De acordo com a Forbes, por exemplo, neste ano o youtuber Daniel Middleton (o mais bem pago do mundo) faturou nada mais e nada menos que 16,5 milhões de dólares. Com foco em games, o jogador britânico de “Minecraft” conta com mais de 11 bilhões de visualizações, já publicou livro e também ganha grana lotando os seus shows. Aqui no Brasil temos cifras um pouco menos surreais, mas ainda assim volumosas e vemos todos os dias a demonstração do poder de influência de nomes como Whindersson Nunes, Cocielo, Felipe Neto, Felipe Castanhari, Kéfera e tantos outros.  

O cenário é promissor e o potencial é alto, mas uma coisas precisa ser dita: não é porque esse mercado apresenta números incríveis que o segmento está totalmente maduro, sobretudo no Brasil. É possível dizer que ainda tem muita coisa nova na relação com das marcas com esses “personagens” e que muita água vai passar por baixo dessa ponte digital. Para traçar um quadro a respeito da percepção das agências e anunciantes sobre os influenciadores e tem tentar elucidar mitos e verdades, conversamos com Adrianne Elias, CEO da CoCreators e sócio-fundadora da Content House.

Quais são os principais mitos do mercado a respeito do trabalho com influenciadores?

Um dos mitos que ainda está de pé é que os influenciadores são todos amadores. OK, tem gente que ainda não percebeu o valor do seu conteúdo (se ele realmente existir). Porém, os influencers estão se profissionalizando cada vez mais. Quem produz conteúdo relevante já entendeu que é preciso valorizar seu trabalho e não aceita mais a conta 1 post = 1 pizza.

Outro mito é que trabalhar com influenciadores é "arriscado demais". Já ouvimos de clientes, que nunca fizeram campanhas de influencer marketing, dizer que não fazem, pois não têm controle sobre a entrega. De novo: os influencers estão cada vez mais profissionais.  E aí ter uma agência especializada, que vai garantir desde a melhor negociação até o gerenciamento das entregas dos influenciadores contratados, faz a diferença. Outro mito é que não é possível mensurar resultados. Além de resultados de alcance e engajamento, com um custo por visualização muito mais baixo que outras mídias, já tangibilizamos resultados de diferentes formas para diversos clientes: o Tinder, por exemplo, teve um aumento de 40% nos downloads do app, após nossa ação na Creators' House, no Coachella. A Microsoft, em uma ação cocriada com o canal Me Poupe, esgotou em uma semana as vendas do Office 365.

É preciso separar o joio do trigo e entender que instagrammers, bloggers, vloggers, e produtores de conteúdo em geral tem um papel completamente diferente das celebridades.

E quais são as principais verdades?

1- Influencer marketing, para funcionar, tem que ser verdadeiro, original. Senão, não engaja e a taxa de rejeição é muito alta. Uma campanha mal feita pode acabar com a credibilidade do influenciador ou com a reputação da marca.

2- Nem todo influenciador é youtuber. E nem todo youtuber é influenciador. Quando se trata de marketing de influência, é preciso separar o joio do trigo e entender que instagrammers, bloggers, vloggers, e produtores de conteúdo em geral tem um papel completamente diferente das celebridades.

3- Relacionamento leva tempo para ser construído. Mais do que fazer um post ou uma ativação pontual, é preciso ter uma estratégia de marketing de influência consistente e frequente.

Quando o assunto é o trabalho com influenciadores , qual é o nível de maturidade do mercado brasileiro?

Há oito anos, quando abri a Content House, nosso desafio era educar o mercado sobre conteúdo. Hoje, o principal desafio é explicar o que é influencer marketing, pois muitas marcas ainda acham que é trocar seu produto por um post. O ano de 2017 foi muito bom para o marketing de influência. O cenário brasileiro já está bem mais maduro, mas ainda temos um longo caminho pela frente.

Como é o mercado nacional na comparação com o mercado americano, por exemplo?

Em comparação aos mercados norte-americano e europeu, o Brasil ainda está atrás. Não foi à toa que, ao abrir a CoCreators, fechamos uma parceria com a Billion Dollar Boy - agência global de marketing de influência, trazendo a expertise que eles construíram lá fora para a operação no Brasil. Lá, as marcas já entenderam que é preciso construir uma relação de longo prazo e de cocriação com o influenciador para conseguir resultados efetivos. Porém, o Brasil é um mercado com potencial incrível, o segundo maior do mundo em número de influenciadores no Youtube e consumo de conteúdo digital.  No Brasil, são cerca de 380 canais com mais de 1 milhão de inscritos, atrás apenas dos Estados Unidos  que tem 11 mil canais com essa audiência.

Outro asset dos creators é a possibilidade de cocriação com as marcas, gerando um conteúdo muito mais autêntico e engajador.

Qual é a relação de entendimento e contratação das agências com influenciadores? As agências já estão dominando bem esse jogo ou ainda temos diversos entraves? Se sim... Quais seriam esses entraves?

Algumas agências ainda estão tentando encontrar a melhor forma de contratar os influenciadores, mas encontrar os nomes certos para uma campanha não é uma tarefa tão simples. Ainda vemos agências com outras expertises, como assessoria de imprensa ou conteúdo, tentando fazer influencer marketing, mas quebrando a cara, pois mais que contratação, a gestão de uma campanha de marketing de influência é algo completamente diferente do que essas agências estão acostumadas a fazer. Porém, para as agências tradicionais, admitir que é melhor contratar um especialista para fazer essa gestão pode ser um pouco difícil.

O que faz uma agência optar por um influenciador digital e não uma celebridade convencional?

A credibilidade é, sem dúvida, o diferencial dos influenciadores digitais. A audiência sabe que ele só vai falar de produtos que realmente têm a ver com o que eles fazem, vivem, consomem. Outro asset dos creators é a possibilidade de cocriação com as marcas, gerando um conteúdo muito mais autêntico e engajador.

Renato Rogenski

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