Quem planta colhe: Nizan estrela vídeo da Confederação da Agricultura e público reage

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Nizan Guanaes é o tipo de pessoa que não passa em branco em qualquer ação que ele se predispõe a participar. Famoso pela sua criatividade, tino comercial e personalidade, o publicitário baiano acaba de se lançar em uma empreitada que diversas pessoas não têm apoiado.

Investidor na venda de touros Angus e dono de uma casa de campo de alto padrão, o empresário foi contratado pela Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil. Como já se é possível imaginar, a CNA é uma das principais defensoras do agronegócio, mas, recentemente, ela resolveu ir além e se mobilizou para afrouxar a Lei dos Agrotóxicos no Brasil.

Com a proposta de um projeto que limita a atuação de órgãos de controle na liberação do registro de agrotóxicos, a associação se vê em maus lençóis diante opinião pública e convidou o criativo para melhorar a sua imagem.

Proativo, o novo consultor disse em vídeo veiculado pela própria instituição que “sempre me chamou a atenção como esse setor se comunica mal e a falta de comunicação traz problemas enormes a ele. Um setor que devia ser aplaudido e altamente valorizado, é muitas vezes incompreendido por preconceitos e por coisas que são plantadas contra ele”. Veja abaixo o comunicado completo:

Motivo de reação do público, diversos sites reagiram mal ao posicionamento e até um abaixo-assinado foi criado para que o executivo “use seu talento para apoiar a agroecologia”. Criada por Claudia Visoni, a empreitada já tem o endosso de 366 pessoas.

Confira o texto na íntegra redigido por agricultores, agrofloresteiros, hortelões, ambientalistas, mães, pais e cidadãos ocupados e preocupados com a saúde das pessoas e do meio ambiente:

“Soubemos outro dia que você foi contratado para promover o agronegócio. Temos uma proposta de trabalho muito melhor. Que tal dedicar seu tempo e seu talento para incentivar um tipo de agricultura que restaura florestas, ressuscita nascentes, produz alimentos sem veneno, protege a biodiversidade, valoriza nossas tradições e oferece trabalho digno para muitas pessoas? 

Não sei se você sabe, mas a pecuária e os latifúndios de monocultura causam desmatamento e desertificação, envenenam os rios e aquíferos com agrotóxicos*, exploram trabalhadores, ameaçam indígenas, quilombolas e agricultores familiares. Nenhum superávit de balança comercial compensa as externalidades negativas desse tipo de agricultura que, aliás, já recebe muito subsídio e perdão de dívidas por parte do Estado. 

Para piorar, o lucro proveniente do gado, do eucalipto, da cana, da soja e do milho transgênicos vai para o bolso de poucos. E os prejuízos, na forma de devastação e doenças, são pagos por toda a sociedade e pela natureza.

Nós não temos nenhum centavo para pagar pelo seu trabalho. Mas as riquezas que podemos oferecer valem muito mais do que dinheiro: agroflorestas, água pura, comida limpa, justiça social, famílias camponesas e comunidades empoderadas.

Então pedimos que diga não aos latifundiários e venha conversar com a gente sobre como tornar esse país a nação mais ecológica do mundo." 

Um grande abraço!”

Para acessar a petição, basta entrar neste link.

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