Como criar um personagem? Pergunta lá na Talent

Ipiranga

“Bonita camisa, Fernandinho”, “Não é assim uma Brastemp” e o mais recente “Pergunta lá no Posto Ipiranga”. Historicamente, a Talent sempre criou bordões e campanhas que invadiram as conversas populares. A última delas, entretanto, não apenas coroou a viralização da mensagem da marca, como também apresentou ao público um personagem altamente carismático.

Na pele de um caipira de beira de estrada, o ator Antonio Duarte de Almeida Júnior, mais conhecido como “Batata”, ocupou o mesmo espaço no coração do público brasileiro que um dia pertenceu a personagens icônicos da propaganda nacional como o Baixinho da Kaiser, o “abuse e use” Sebastian e o eterno Garoto Bombril, Carlinhos Moreno.

No total, desde o inicio da campanha que reposicionou a marca em 2010, o ator já gravou aproximadamente 40 comerciais dos Postos Ipiranga para a TV e a Internet. Para entender um pouco melhor esse fenômeno, batemos um papo com o CEO da Talent Marcel, João Livi. Confira:

O personagem foi criado para ser longínquo ou a sua permanência nos comerciais da marca foram acontecendo por conta do sucesso? Como aconteceu essa história?
A primeira aparição do personagem foi num dos filmes da campanha de 2010. No dia em que vimos o filme pronto, percebemos que ali havia potencial para mais do que aquilo. Algo que pudesse se transformar em ícone.

Como o personagem nasceu?
Eu criei, escrevi o roteiro e nasceu. Cresceu com o trabalho da O2 e do próprio ator.

Como é criar e lidar com um personagem que consolidou um bordão e de quebra virou meme na web?
Todo ano, temos muito cuidado ao lidar com o personagem. As equipes que criam (depois do primeiro, só criei mais quatro roteiros) têm sido muito bem-sucedidas em trazer novos filmes, em cima dos caminhos gerais propostos. Hoje a campanha já tem uns oito criadores em sua história, que sofrem com a minha paranoia.

Você pode nos contar alguma curiosidade envolvendo o personagem e as campanhas da marca?
O apelido do ator é Batata, mas o personagem não tem nome. De vez em quando, algum roteiro chama o personagem de Batata, confundindo ator com personagem. Acontece todo ano, mas corrigimos sempre.  

Como é a relação do anunciante com o personagem? Como eles encaram essa viralização da figura do caipira da beira da estrada?
Não poderia ser melhor. A presença da campanha, de forma estimulada ou não, no dia a dia dos brasileiros é enorme.

Por que o público brasileiro se identificou tanto com essas campanhas do “Pergunta lá no Posto Ipiranga”?
Porque são simples, brasileiras, divertidas e vendedoras. O marketing e a propaganda de vez em quando ficam muito complexos, refletindo complexidade naquilo que vai ao ar. Simplicidade deveria ser um pilar estratégico em muitas empresas.

Por que a Talent tem tanta expertise em imortalizar bordões na publicidade brasileira?
Porque acreditamos em longevidade. Das relações, das marcas, da comunicação.

Queria que você comentasse brevemente o envolvimento da campanha de Ipiranga com duas passagens polêmicas: a denúncia aceita pelo Conar (referência ao trabalho infantil) em um dos filmes e a versão criada pelo João Doria, em sua candidatura para prefeito. 
Na verdade, houve pouca polêmica. No primeiro caso, é importante dizer que quase todas as denúncias são aceitas pelo Conar, o que significa apenas que os casos irão a julgamento. O Conar absolveu e arquivou. No segundo, nós solicitamos ao então candidato a retirada da paródia do ar, pois a empresa prefere se manter neutra em pleitos eleitorais.

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