Os tropeços de GoT nos trazem uma valiosa lição enquanto comunicadores

GOTT

{ NÃO CONTÉM SPOILERS }

É indiscutível que Game of Thrones continua sendo o que de melhor a televisão produz hoje em dia. Porém, o número de pessoas revoltadas com os devaneios da sétima temporada foi aumentando exponencialmente a cada novo episódio. Parece nitidamente que os produtores perderam a mão. Isso fez com que os fãs de GoT despejassem rios de lágrimas de saudade da mão sádica e surpreendente de George R. R. Martin, o cultuado autor dos livros originais.

O que se especula é que a HBO, no anseio de agradar à enorme e crescente audiência, pagou o preço que o sucesso e a popularização geralmente exigem. Um nivelamento por baixo dos elementos de sua sempre tão bem engendrada narrativa, de modo a torná-la de mais fácil degustação do maior número de pessoas possível. Uma busca ingrata por agradar a todos. Com isso, busca-se diminuir os riscos e tudo que pode ser entendido como uma grande controvérsia é cortado fora por seres engravatados com os olhos fixos no retorno financeiro. Os roteiros então perdem estratagemas, cliff hangers e plot twists que podem correr o risco de serem demasiadamente complicados e rejeitados pela maioria. E então ganham tramas familiares rasas e forçadas dignas de novela das oito e sequências de flertes românticos mais forçados que aqueles que rolam com o casal protagonista de Malhação. Afinal, há muito a perder.

Ter muito a perder pode ser uma poderosa mola propulsora da inventividade humana. Mas também pode significar sua ruína. Pode ser o combustível de sua capacidade de sair do lugar comum, explodindo as paredes e muros do status quo. Mas também pode se transformar na âncora mais pesada e lamacenta que sua capacidade de ousar encontrará pelo caminho.

Ok, haters gonna hate. But what about the lovers?

Nesse ponto reside o principal aprendizado que podemos tirar dos deslizes de GoT em sua sétima temporada: não incorra no terrível equívoco de tentar agradar a todos. Tenha sempre a certeza de que você está sendo totalmente fiel à sua verdade, ao seu propósito, à sua razão de existir. O nome disso é autenticidade, que junto com a relevância são os dois pilares elementares que sustentam as relações profundas entre marcas e pessoas hoje em dia. Mesmo que isso não agrade a todos. Mesmo que você seja odiado por alguns. Siga em frente. Os elementos e faíscas que inspiram odiadores são muitas vezes os mesmos que inspiram amantes. E acredite: mais vale conquistar a admiração profunda de um grupo de pessoas do que ser um picolé de chuchu para a maioria.

{ ZONA DE ALERTA >> CONTÉM SPOILERS }

Devaneios da Sétima Temporada

  • Jaime ou Bron não terem morrido no ataque do Drogo. Ao menos um poderia e deveria ter morrido ali.
  • Cena de Jaime e Bron saindo vivos e ilesos do lago, a quilômetros de distância, de armadura e tudo mais, parecendo cena de seriado americano onde uma dupla parceira “escapa por pouco”.
  • A aparição gratuita e fora de contexto de Ed Sheeran.
  • A trama rasa, forçada e sem graça que Mindinho desenvolveu entre as irmãs Stark.
  • O arzinho de romance de Malhação entre Jon Snow e Daenerys.
  • Os planos cada vez mais imbecis de Tyrion (ou ele de fato está alinhado com Cersei).
  • O plano imbecil de sequestrar um walker para convencer Cersei (quem em sã consciência acha que dá para sensibilizar Cersei?).
  • Por que precisava o Gendry voltar correndo para encomendar um corvo? Dany não poderia ter aparecido de surpresa, chamada por Sir Davos ou por alguma conexão espiritual com Jon Snow!? Teria sido muito mais verossímel.
  • O grupo de expedicionários E OS walkers ficarem aguardando Dany chegar.
  • O fato de não terem levado nenhuma arma de Dragonstone.
  • Por que o maldito do Jon Snow não subiu logo no Drogo?
  • Cersei não ter ordenado que Montanha matasse Jaime.

Acertos da Sétima Temporada

  • Arya e a vingança do casamento vermelho.
  • O reencontro entre Arya e Nymeria.
  • A ida de Jon Snow a Dragonstone.
  • O reencontro entre Snow e Theon.
  • A chegada de Arya em Winterfell.
  • O reencontro dos irmãos Stark.
  • Os diálogos entre Arya e Bran.
  • O ataque de Dany ao exército Lannister.
  • Olona e recado para Cersei antes de morrer.
  • Dany ter matado pai e filho da Casa Tarly.
  • Embora a ideia da missão em si tenha sido imbecil, a parte da jornada do grupo de expedicionários e os diálogos foram legais.
  • A virada de Sansa.
  • A morte do mindinho.
  • O diálogo entre Bran e Sam.
  • A destruição da muralha pelos walkers (sendo que foi totalmente estragado pela forma imbecil como o Rei da Noite conseguiu um dragão — naquela expedição cretina).

Raul Santahelena

Autor dos livros “Muito Além do Merchan” e “Truthtelling - Por Marcas mais Humanas, Autênticas e Verdadeiras”. Professor licenciado da ESPM. Atua na Gerência de Publicidade da Petrobras.

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