A voz e a visão das mulheres na produção (de som e imagem) do Brasil

Voz e visão

Nunca se discutiu tanto a equidade de gêneros nas cadeiras de alto comando das agências de publicidade não apenas no Brasil, como em todo o mundo. Não à toa, em 2014 o Festival de Criatividade Cannes Lions lançou o programa especial See It Be It, que reúne um grupo internacional de mulheres com alto potencial para a liderança na indústria. Um dos objetivos é promover a transformação e fazer com que esse quadro se torne mais justo.

No mercado de produção de imagem e som, embora ainda haja desigualdade, já há muitas mulheres liderando operações nas produtoras brasileiras, seja como empreendedoras, executivas ou em cargos de liderança. Elas estão mostrando, na prática, que o melhor aliado para mudar o cenário, além da luta contra a misoginia, é o próprio trabalho que estão tendo a chance de desenvolver. Segundo estimativa, cerca de 30% das líderes em produtoras de som afiliadas à Aprosom no Brasil são mulheres.

A produtora de áudio A Voz do Brasil fez um movimento recente de montar uma liderança totalmente feminina no país, encabeçada por Rosana Souza, que nomeou Victoria Gaibar como Coordenadora & Sound Research e Lele Terpins para comandar a área de Inovacão e Novos Negócios. "Foi um movimento natural pelo destaque que elas vinham tendo dentro da produtora", diz Rosana Souza, que é produtora executiva ao lado de Alan Terpins, responsável pela operação nos EUA. "Mas também foi um olhar ousado quando se tem um mercado totalmente masculino em todas as pontas.", diz Lele. 


Lele Terpins (Divulgação)

Na Visorama Diversões Eletrônicas a sócia-fundadora e produtora executiva, Samanta Martins, trabalha ao lado de três sócios-fundadores e diretores de cena, mas juntos eles têm várias mulheres também na equipe. Ela se divide no comando das operações do Rio de Janeiro (sede da produtora) e de São Paulo. Samanta começou a carreira como funcionária de uma produtora e decidiu empreender no mercado, trazendo para a Visorama uma visão que vai além da produção de imagem tradicional, incluindo realização de eventos, produção de documentários, vinhetas pra programas de TV, entre outros. "O segredo é trabalhar como time e somar o que cada um tem de melhor. E isso não é determinado por gênero ou qualquer outra característica pessoal que não seja a determinação, o caráter e o talento. O que mais valorizamos na Visorama são as pessoas, sem distinção. E é isso que queremos para o nosso mercado em geral", diz Samanta Martins.


Samanta Martins (Divulgação)

Alessandra Valle começou como funcionária da Sonido. Cresceu profissionalmente e passou a ser essencial para os negócios, tornando-se sócia da produtora de som. Hoje cuida da operação Brasil ao lado do fundador Lucas Duque, que coordena também a estrutura internacional da produtora. "Quando você trabalha com profissionalismo e abraça sua vocação, você vai conquistando seu espaço, mesmo que tenha que passar por dificuldades e até preconceitos. E é essencial a gente ter essa confiança no dia-a-dia e contar com parceiros que te enxergam como profissional, sem distinção de gênero ou do que quer que seja", diz Alessandra Valle.


Alessandra Valle (Divulgação)

Diretora de Cena da Zeppelin, Paula Jobim contraria estereótipos e tem aptidão nata para construir filmes de produto e carros, por exemplo, e acredita que o caminho da equidade ainda é longo. “Como em toda a sociedade, a igualdade de gênero na produção ainda é mais um desejo do que uma realidade. É só dar uma olhada nas fichas técnicas de filmes de marcas de cerveja e carros e ver quantas mulheres tiveram oportunidade de dirigir. Por outro lado, filmes com crianças, família, casa e moda são mais facilmente dirigidos por diretoras mulheres. Há estereótipos machistas em alguns roteiros e no meio profissional, mas felizmente cada vez mais pessoas estão dispostas e tentar mudar isso”, acredita.


Paula Jobim (Divulgação)

Em seu job description de diretora de atendimento da S de Samba, Meg Ribeiro inclui a tarefa de motivar as mulheres da sua equipe dando a elas oportunidades de tomar decisões e liberdade pra que possam equilibrar a relação trabalho/ vida pessoal, que é muito importante para a qualidade de vida. “Acredito que as produtoras de som têm hoje as mulheres em cargos atrelados a habilidades como facilidade de relacionamento, comprometimento, inteligência, organização, flexibilidade, simplicidade, espirito de equipe e principalmente a intuição. Sinto uma valorização desses fatores na nossa produtora, onde o estilo feminino é marcado pelo senso de responsabilidade fazendo com que haja uma maior satisfação de todos os envolvidos no trabalho”, afirma.


Meg Ribeiro (Divulgação)

Para Isabelle Tanugi, fundadora e produtora da Zohar Cinema, as mulheres têm qualidades que são essenciais para profissionais do segmento de produção. “Adoro prestigiar as mulheres no trabalho. Elas são eficientes, determinadas e capazes de resolver muitas coisas ao mesmo tempo, características fundamentais para um bom produtor. Sou feliz de ter hoje junto comigo a Fernanda Rossi, outra sócia mulher no comando da Zohar", acredita.


Isabelle Tanugi (Divulgação)

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