Exclusivo: Saiba por que a Mutato abriu operações na Colômbia e na Argentina

Passamani

No ano em que comemora cinco anos de sua fundação, a Mutato inicia um plano de expansão internacional. Os dois primeiros escritórios da agência fora do Brasil estão sendo abertos em Bogotá e Buenos Aires e devem atender tanto clientes atuais da Mutato no Brasil quanto novos clientes locais. Como parte desse processo de expansão, a Mutato também anuncia a conquista de duas contas regionais para a América Latina: a LATAM Airlines e a Kimberly-Clark.

As operações na Argentina e na Colômbia contarão com equipes locais e têm os respectivos escritórios da J. Walter Thompson como sócios no país. O atendimento aos clientes terá suporte da Mutato em São Paulo, que hoje conta com um time de mais de 80 profissionais.

Na entrevista abaixo, quem conta mais detalhes sobre a novidade é Andre Passamani, sócio e COO da Mutato.  

Por que a escolha por esses dois países?
Nós escolhemos os países por serem mercados importantes da América Latina no segmento em que estamos inseridos. A Colômbia passa por um momento virtuoso de crescimento econômico e a Argentina, por sua vez, é uma referência no mercado criativo e de produção audiovisual e este pode ser um caminho ainda mais interessante ao olhar para a região.

Vale dizer, também, que dados de penetração de internet e padrões de comportamento nesses mercados nos mostram uma curva ascendente muito semelhante a que acompanhamos no mercado digital brasileiro dos últimos dois ou três anos.

Os três países são altamente sociais, passam por um momento em que influenciadores se consolidam como formadores de opinião e têm penetração de internet que variam entre 50% e 70%: Argentina 79%, Brasil 66% e Colômbia 58%.

Há a possibilidade de expandir a Mutato para outros países latinos no futuro?
Sim. No último ano, nós desenvolvemos projetos com a Coca-Cola globalmente e vencemos um pitch global de Lux liderado pela J. Walter Thompson Ásia.

Estamos iniciando a expansão regionalmente, mas já testamos e atingimos resultados bem expressivos mesmo nas experiências com países menos próximos culturalmente do Brasil.

Ao alcançarmos nossas metas com as operações na Argentina e na Colômbia, acho que será natural um próximo passo da Mutato em mais países.

Tem algum país em especial cuja relação da agência é próxima ou traz alguma particularidade?
Tanto a Argentina quanto a Colômbia têm graus semelhantes de proximidade. Mas apresentam muitas diferenças entre si e com o Brasil. Escolhemos os dois países para iniciar a expansão por sua importância estratégica.

A Colômbia em muitos aspectos culturais se parece ao Brasil, tanto no futebol, na música e na miscigenação do seu povo. Mas tem hábitos e costumes bastante distintos e tem um cenário muito próximo e conectado com o México.

Vale destacar o papel da Argentina, um país único na região. Que é um tradicional formador de talentos e uma usina de produção de conteúdo audiovisual reconhecido mundialmente, com destaque para roteiro e direção. Vamos investir numa troca de talentos de produção audiovisual, mas acreditamos que podemos adicionar a nossa capacidade de gerar conversas em plataformas digitais (algo cada vez mais feito por meio de vídeos).

Quão rica será a troca de influências e referências destes dois mercados com o Brasil?
Além do que já destaquei acima, os dois países têm hábitos digitais bastante semelhantes aos nossos. Indo mais a fundo, é uma questão contemporânea. Os formatos e o entretenimento hoje são muito globalizados, especialmente entre os mais jovens. Mas sempre viram assunto numa perspectiva local. Cada país tem o “seu” Whindersson Nunes ou o “seu” Sensacionalista.

Agora estamos indo mais a fundo nesses ecossistemas e aprendendo sobre hábitos e movimentos locais, de tipos de assuntos que são mais populares a hábitos que viram assunto nas redes sociais. E esse é um processo muito rico para todos nós aqui no Brasil, porque nos coloca mais perto da cultura latino-americana.

A nossa postura frente a isso é montar equipes fortes e com capacidade e autonomia para criar uma versão local do que fazemos aqui.

Qual é a visão hoje que a Brasil tem de cada um desses mercados, o argentino e o colombiano?
A tendência do mercado brasileiro é olhar para a América Latina com menos ou nenhuma atenção. Pela colonização, pela língua e pelo tamanho da nossa economia - e até pela dimensão do país. Mas, definitivamente, o Brasil está na América Latina. Nós vemos na região um espaço muito interessante a ser ocupado. Não dá mais para o brasileiro ignorar o potencial de crescimento do mercado digital aqui do lado.

Quais são as principais diferenças e semelhanças com o mercado brasileiro?
Em termos de publicidade, a compra de mídia é a mais óbvia. Em termos culturais, acho que o Brasil é mais ‘novidadeiro’ e muito empolgado com as redes sociais. A grande semelhança se dá no fenômeno comum dos nossos tempos. Estamos aprendendo junto a viver online. Com uma primeira tela na mão o tempo inteiro e tendo a televisão como sua segunda tela. Isso está mudando tudo no mercado de comunicação ao redor do mundo.

Os millennials estão no mercado de trabalho. A Mutato, por exemplo, tem 90% da sua força de trabalho nessa faixa etária. Essa geração já nasceu com o digital. Sempre teve a Internet junto a si e seu consumo de informação e entretenimento vai mudando a cada dia. Do Twitter, pro Facebook, pro YouTube, pro Instagram e pro Snapchat. Esse fenômeno é absurdo no Brasil, mas existe com grande força nesses dois mercados.

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