Novo trabalho da 65/10 evidencia as Mulheres (In)visíveis

65/10

Pelos dados do IBGE é fácil fazer um retrato da mulher brasileira: negra de cabelos crespos e acima do peso. Para confirmar que é muito incomum ver uma mulher como esta na publicidade, a consultoria 65/10 promoveu, em conjunto com o Grupo ABC, a pesquisa Mulheres (In)visíveis que analisou posts das 10 marcas brasileiras mais curtidas do Facebook. O resultado, infelizmente, não foi surpreendente.

Mulheres em geral são menos vistas como protagonistas de publicidade do que homens. Mulheres negras, crespas, lésbicas, trans e gordas aparecem menos ainda, segundo o estudo que você pode ver no site http://mulheresinvisiveis.com/. O que existe é um reforço do estereótipo da beleza idealizada em corpos brancos, magros, cisgênero, de cabelos lisos e hipersexualizados. Não é à toa que 65% das mulheres brasileiras dizem não se identificar com a forma que são retratadas na publicidade. 

Mulheres gordas

Brasil: 48% das brasileiras acima do peso.

Publicidade: menos de 3% das mulheres retratadas são gordas.

 
Fluvia Lacerda, Capa da Playboy de verão, em foto de seu Instagram

Mulheres negras

Brasil: 53% dos brasileiros são negros.

Publicidade: apenas 26% das mulheres retratadas são negras.


Karol Conka em anúncio da Avon

A orientação sexual e a identidade de gênero também passaram esquecidos pelos mais de 100 posts pesquisados para o Mulheres (In)visíveis e aqui o problema vai para além da imagem, afinal não é possível definir uma pessoa LGBT pelo que vemos e sim por declaração. Conclusão: apenas uma marca explorou o tema ao retratar um casal de mulheres lésbicas.

Não retratar mulheres como elas realmente são gera um problema de negócios para os anunciantes que não conseguem se conectar com seu público e também é uma forma de violência, pois exclui todas essas mulheres do retrato social que é a mídia de massa. "Quando não as enxergamos, não enxergamos seus problemas e assim deixamos de pensar em soluções e melhorias para todas essas pessoas", complementa Maria Guimarães, uma das fundadoras da 65/10.

“O projeto Mulheres (In)visíveis deve crescer em 2017 para que juntos possamos pensar mais sobre o casting, sobre representatividade, sobre como escolher modelos e fotos de bancos de imagens.” revela Thaís Fabris, a outra sócia da 65|10. “E, assim, poderemos começar a responder uma pergunta que vai permear o próximo ano: como colocar essa conversa em prática?”

“A tensão social existe. O tema tem sido pauta de muitos artigos, muitas publicitárias brasileiras têm levantado o assunto aqui e fora do Brasil e vemos como a temática é viva nas redes sociais. Esse estudo mostra, contudo, que ainda há muito o que fazer. Essa é a nossa contribuição prática ao tema, apoiando esse trabalho da 65|10”, finaliza Bob Wollheim, head of digital do Grupo ABC.

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