O Telecine, rede de canais de televisão por assinatura, forneceu ao Adnews a oportunidade única de conferir em primeira mão a sequência de Toy Story. O filme da Disney,  que chegou a sua quarta edição, traz de forma leve e espontânea diversos ensinamentos e até o paradeiro de outros personagens que até então estavam “esquecidos”. A trama, que lançará oficialmente nesta quinta-feira, (20), foi muito especulada nas mídias por se tratar de um sequenciamento um tanto quanto “desnecessário”, mas hoje mostraremos a vocês que a obra, além de maravilhosa em vários pontos, precisava sim de continuidade.

O primeiro Toy Story, lançado em 1995, deu inicio a história de Buzzlightyear, um patrulheiro espacial, e Woody, um caubói. O segundo filme, lançado em 1999 traz novos personagens, dentre eles a vaqueira Jessie e seu companheiro Bala no Alvo, que até então marcam forte presença em todas as continuidades. Já a terceira edição, lançada em 2010, trouxe uma série de acontecimentos emotivos e até desconfortáveis para boa parte dos fãs que acompanham as obras desde o começo.

Para aprofundar um pouco mais, Toy Story 3 foi um tiro no peito de alguns espectadores. O grupo de brinquedos passa por diversas situações de “vida ou morte” e até momentos de amadurecimento, quando todos os bonecos decidem se desprender de Andy (dono de todos os brinquedos desde Toy Story 1) e se “passarem adiante” para outras crianças que possam lhes dar outros dias de glória. No caso, a produção finaliza com Andy oferecendo todos seus amigos de infância, entre eles Buzz, Woody, Jessie, Rex, Bala no Alvo, Senhor e Senhora Batata e Porquinho, para Bonnie, uma criança meiga e super disposta a brincar com todos eles.

Alerta de spoilers abaixo!

Agora partindo para Toy Story 4… A trama inicia contextualizando todos os filmes anteriores, inclusive dando um grande foco na vida atual dos bonecos ao viverem com Bonnie. Porém, Woody enfrenta uma situação um tanto quanto desagradável ao ser descartado na hora das brincadeiras. A personalidade do caubói é retratada desde o primeiro filme e extremamente reforçada nesta sequência, onde a lealdade pela criança prevalece (quase sempre).

Logo no início, Bonnie se mostra apreensiva ao iniciar o jardim de infância e até chora por ter que ir sozinha. O xerife, comovido com a tristeza, se infiltra no dia de adaptação da criança no intuito de ajuda-la da melhor forma possível… O que na realidade era uma tarefa bem difícil, considerando que a escola é um prato cheio para alunos novos serem “mal tratados”.

Rodeada de crianças indiferentes, Bonnie se sente sozinha e desesperançosa com seu primeiro dia, até o pedido da professora de criarem alguma arte para um cartão. Com a ajuda de Woody recolhendo materiais recicláveis (na surdina, obviamente), Bonnie “faz” um novo amigo com um garfo descartável, barbante, massinha e palito de sorvete, apelidando-o de “Garfinho”. Como era de se esperar, o novo amigo da criança toma vida na ausência de adultos e de forma cômica se revolta por ter sido feito de “lixo”, se jogando sempre em qualquer lixeira pelo caminho.

Após muitos momentos cômicos, Woody vira o guardião do “Garfinho”, pois Bonnie se apegou imensamente naquela junção de plástico e barbante. Porém, entretanto, todavia, em uma das cenas de tentativa de escapatória do brinquedo reciclável, o caubói se depara com uma loja de antiguidades que, em sua vitrine está o abajur de Betty (uma personagem do primeiro filme que desapareceu sem muito contexto; e sempre deu a entender que era a crush do xerife).

Tentado pela curiosidade, Woody entra no estabelecimento e se mete em um grande problema ao perder o “Garfinho” para uma trupe de ventríloquos antigos que desejam roubar sua caixa de voz (que mesmo antiga, ainda funciona perfeitamente). Gabby Gabby, líder dos bonecos maleáveis, deseja mais do que tudo consertar sua própria “cordinha” de voz para um dia, quem sabe, ter o amor de alguma criança. Em suma, a personagem procurada por Woody não estava no local.

Em seguida, o caubói que já havia escapado das garras dos supostos vilões, precisa de alguma forma recuperar seu colega “lixo” (piadas a parte). Por coincidência do destino, Woody encontra Betty em um parquinho público, onde os ensinamentos do filme começam. A pastora, seguida de suas 3 ovelhas, relembra de momentos com o xerife quando viviam na mesma casa, e ainda ressalta que foi descartada por Molly, irmã mais nova de Andy, com um flashback emotivo (nunca apresentado antes em nenhum dos filmes) onde dentro de uma caixa pronta para despejo ela se despede de Woody falando que “Crianças perdem brinquedos o tempo todo”. Depois disso, a personagem nunca mais foi retratada… Até então.

A pastora viveu intensamente os últimos 7 anos, se deslocando de vários locais sem nenhum dono fixo. A primeira vista, o caubói não pareceu gostar da realidade da amiga, mas ela consegue provar aos poucos que além de aprender muito “nas ruas”, se tornou um boneco livre e aberto para muitas experiências que nenhuma criança sozinha poderia proporcionar.

Com um apelo nostálgico, Woody convence Betty de ajuda-lo a recuperar o “Garfinho” e a ação começa. Novos personagens se unem em prol do resgate, inclusive Buzz aparece com sua “voz interior” para auxiliar os amigos (só quem assistir o filme vai entender a referência). Em meio a tanto caos e tentativas falhas, os brinquedos de Bonnie, com a ajuda de alguns outros bonecos “perdidos”, conseguem recuperar o personagem reciclável, e parte da solução do problema envolve Woody doar sua caixinha de voz para Gabby Gabby (que fez sem pestanejar e até com um certo ar de altruísmo).

Após o feito, algumas mensagens muito importantes são expostas no filme… Gabby Gabby consegue “falar” novamente, mas isso não é o suficiente para ser amada por uma criança, muito menos o fim do mundo. Assim como o amor de uma criança única pode não ser o padrão ideal para um brinquedo, considerando que eventualmente ele será descartado ou passado para outro dono. Ao final fica esse enorme questionamento na cabeça de Woody, que no decorrer dessa produção reviveu diversos flashbacks de Andy e cravou discussões com Betty sobre o que significa estar “perdido”.

Toy Story 4 passa muito pouco pelos personagens já conhecidos (mencionados no terceiro parágrafo) e creio que além de proposital, o diretor e roteirista quisesse dar um foco no brinquedo que iniciou todas essas sequências e mostrar mais sobre um caminho difícil que todos os bonecos daquele universo enfrentam. Até então nenhuma produção pegou tão forte no questionamento: O que significa estar perdido, realmente?

Desde o primeiro longa, a lealdade e dependência por sua criança eram muito reforçadas e nítidas. Mas e se aquilo não for tudo? No terceiro filme há um pouco deste questionamento quando todos os personagens optam por viverem em uma creche (onde anualmente estariam nas mãos de diversas crianças diferentes), mas no final das contas (tudo influenciado pelo Woody), os bonecos assumem que deveriam ficar com Andy independentemente de suas decisões… Que no final “repassou” todo mundo para Boonie, arrancando diversas lágrimas de todos os espectadores (se você não chorou com a cena final do terceiro filme, você não é humano).

Porém, ao avaliar os filmes de 1 a 3, percebemos que o 4 nada mais é do que uma revolução total e “quebra” de paradigmas. Em qual universo aceitaríamos ou até gostaríamos que Woody fosse um boneco “perdido”? Nunca, jamais. Depois de assisti-lo tentando escapar do vizinho de Andy, salvando Jessie e Bala no Alvo das garras do Al e do Mineiro e por fim fugirem as pressas de Sunnyside, imaginávamos, no mínimo, que Woody continuasse com essa grande dependência por uma criança única e repassando sempre a importância dessa lealdade para todos a volta. Mas não foi bem isso que aconteceu desta vez…

E o mais incrível de tudo é que os outros colegas do xerife não relutaram sobre sua escolha e entenderam perfeitamente que a vida segue e todos possuem voz de escolha. A despedida é, com certeza, uma das mais marcantes da história da Disney, pois foram 3 filmes construindo esse ciclo de amigos e com uma escolha rápida, eles se separam e tomam rumos diferentes. Nada que não se pareça com a realidade, né?

E para descargo de consciência, o “Garfinho” aceitou seu destino (que não era o lixo) e retornou para as mãos de Bonnie feliz da vida, enquanto Gabby Gabby achou uma criança para ama-la da forma que ela tanto sonhou (embora isso não seja mostrado, nós gostamos de pensar que esse foi o seu destino).

Influenciado por Betty ou não (e acredito que bem pouco) o xerife decide ficar onde se sentirá bem: como um brinquedo perdido e aberto a novas experiências. Tanto a cena final como os pós créditos dão a entender que há uma enorme possibilidade de um Toy Story 5. Talvez o infinito tenha mesmo um além.

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