Como explicar o fenômeno midiático do Super Bowl no Brasil?

Confira uma entrevista exclusiva com Rafael Davini, VP de ad sales da ESPN no Brasil

Uma multidão de bonés de times pelas ruas, bares cheios para acompanhar jogos decisivos, transmissão das partidas até mesmo no cinema e uma torcida ansiosa pela grande final da competição. Pensou no Campeonato Brasileiro ou na Champions League? Poderia ser, mas todo o cenário mencionado acima tem se repetido no Brasil durante o período que permeia o Super Bowl, a grande final do futebol americano na NFL.

Por uma série de questões, o brasileiro tem entendido e curtido cada vez mais a modalidade, que não apenas mexe com o coração das pessoas, como automaticamente cresce como produto esportivo no país, gerando novas ativações e campanhas. Nos Estados Unidos nem é preciso dizer o quão poderoso é o evento, com audiência global de mais de 163 milhões de espectadores e o spot mais caro da propaganda mundial (atualmente a cifra é de US$ 5 milhões, o que representa aproximadamente R$ 20 milhões, segundo a cotação em 27/1).

Responsável por grande parte do sucesso do esporte no Brasil, a ESPN tem feito a lição de casa para promover o Super Bowl e colher os frutos da audiência. Em 2015, a transmissão registrou recorde, quando mais de 500 mil pessoas passaram pelo canal para assistir à final entre Seattle Seahawks X New England Patriots, um aumento de 80% comparado ao ano anterior.

Todo esse volume evidentemente reflete nos resultados financeiros. Em um comparativo com a temporada 2011/2012, a emissora teve um crescimento de 100% no número de anunciantes. Atualmente a NFL na ESPN conta os patrocínios de Mitsubishi, Budweiser, Nextel, Applebee’s, Ifood e Gillette. Para a temporada 2015/2016 a emissora preparou mais de 500 horas de transmissão ao vivo e lançou uma campanha focada no domingo (dia em que exibe quatro partidas da liga).

Abaixo uma entrevista exclusiva com Rafael Davini, VP de ad sales da ESPN no Brasil, para entender o fenômeno do futebol americano no país:

Por que tem aumentado tanto o interesse do público brasileiro pelo Super Bowl nos últimos anos?

O crescimento do interesse do brasileiro pela NFL é uma consequência do maior entendimento do fã de esportes pela modalidade. As pessoas não conheciam o futebol americano e tinham uma imagem de ser um esporte desorganizado, somente de pancadaria. Ao passar a acompanhar os jogos e todo conteúdo da NFL, o público foi entendendo as regras e todo lado estratégico do futebol americano que é fascinante. Além do jogo, o campeonato todo é extremamente atrativo, com jogos muito competitivos e diversas equipes que disputam o título ao longo de toda a temporada. Além de todos esses fatores envolvendo o jogo em si, não podemos deixar de mencionar todo o trabalho desenvolvido pela ESPN para a popularização do esporte e a experiência na transmissão da NFL para o Brasil há 20 anos. Ano após ano investimos em conteúdo diferenciado, com narradores, comentaristas e cobertura jornalística feita por quem mais entende do assunto em linguagem simples, descomplicada e bom uma boa dose de humor que acaba sendo mais um atrativo nas transmissões capitaneadas por Everaldo Marques, Paulo Antunes, Rômulo Mendonça e Paulo Mancha.

Para a ESPN, qual a importância de ter nas mãos um produto tão interessante como a NFL?

A ESPN possui tradicionalmente em seu DNA o vínculo com os esportes americanos. O fã de esportes sabe que são nos canais ESPN que ele encontrará os profissionais mais especializados nas narrações, comentários, transmissões e todo conteúdo jornalístico envolvido. A NFL é um dos nossos principais produtos e atrai uma parcela cada vez maior de audiência, sendo hoje a principal liga americana em nosso portfólio. Sabemos que há ainda uma margem para crescimento e estamos em busca disso ano a ano, ajudando na popularização do esporte no Brasil.

De que maneira a emissora está trazendo as marcas e trabalhando ações especiais para empresas que querem se relacionar com esse conteúdo?

A associação do conteúdo esportivo com a linguagem de cada marca é uma estratégia adotada pelos canais ESPN. As marcas têm enxergado cada vez mais o mercado da NFL e querem se relacionar com esta crescente audiência de um público consumidor e estratégico para marcas de diferentes segmentos. Na atual temporada desenvolvemos ações especiais em parceria com algumas marcas anunciantes da NFL na ESPN. A Budweiser teve destaque especial no quadro “NFL Play”, exibido ao longo de nossa programação e também nas redes sociais para explicar jogadas do futebol americano com a apresentação de Paulo Antunes. A Gillette realizou uma promoção para premiar os vencedores com narrações de suas jogadas de futebol americano pelo Everaldo Marques. Outras marcas sempre trabalham em ativações relacionadas à modalidade, casos de Applebee’s, Mitsubishi, Ifood e Nextel, que também estão entre os anunciantes da NFL na ESPN.

É possível que neste ano (e nos próximos), em virtude das Olimpíadas, as atenções midiáticas sejam menos monopolizadas pelo futebol, contemplando assim outras modalidades?

O desenvolvimento de outras modalidades no mercado brasileiro fez com que as marcas entendessem que o mercado oferece outras possibilidades além do futebol. É inegável a importância do futebol e o tamanho do interesse despertado no público, mas outros esportes vêm ganhando destaque a cada ano, uma vez que tem a capacidade de atingir outras audiências igualmente importantes. O ano olímpico potencializa esse fator e as marcas querem estar associadas à principal competição esportiva mundial, em especial no ano em que acontece no Rio de Janeiro.

As marcas, instituições e agências que lidam com o esporte já estão num bom nível de amadurecimento no Brasil? Como você enxerga esse mercado?

O mercado esportivo no Brasil evolui a cada ano. As entidades e clubes compreendem que para atrair o interesse das marcas é preciso entregar um produto de qualidade, competitivo e de alto nível de profissionalismo. Sem dúvidas há ainda muito a se fazer quando a comparação é feita com mercados consistentes como o norte-americano e o europeu, mas não se pode negar o desenvolvimento do universo esportivo no Brasil. A realização da Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016 contribuíram muito para isso, uma vez que são vitrines para todo o mundo.

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