Em uma data em que o mundo discute a condição da mulher, o GLOBO lança neste dia 8 de março uma nova plataforma de conteúdo dedicada ao tema. Chamada de Celina — em homenagem à professora Celina Guimarães Viana, pioneira do voto feminino no Brasil —, trata-se de um espaço editorial para debater, em profundidade, os temas ligados a mulheres, mas também outras questões de gênero e diversidade. Terão espaço reportagens, artigos, entrevistas, perfis e vídeos sobre direitos, mercado de trabalho, comportamento, expressão cultural, política, educação, saúde e violência.

Em 1928, muito antes de Vargas autorizar a presença feminina nas votações do país, uma mulher de Natal, no Rio Grande do Norte, solicitou seu registro para participar da eleição municipal de Mossoró (RN) daquele ano: a jovem professora Celina. O estado potiguar foi o primeiro de todos a regulamentar o sistema eleitoral sem “distinção de sexo”. O pedido de Celina incentivou outras mulheres a fazerem o mesmo, e muitas delas computaram seus votos nas eleições de 5 de abril de 1928.

A partir deste Dia Internacional da Mulher, o projeto que leva seu nome trará diariamente, no ambiente digital, material produzido por todas as editorias do GLOBO e por colunistas do jornal. Além disso, haverá a colaboração de outras mulheres que têm se destacado no debate sobre o tema. O conteúdo pode ser acessado por aqui e também no perfil no Instagram @projetocelina.

O jornal impresso também publicará periodicamente reportagens especiais, sempre identificadas com o selo do projeto. Em breve, o conteúdo de Celina estará também em uma newsletter semanal e contará, ainda neste primeiro semestre, com um banco de fontes aberto ao público, com sugestões de especialistas mulheres em diferentes campos do conhecimento.

— O DNA do jornal é o de reportagens aprofundadas, de investigação, de ouvir múltiplas vozes, de expor vários lados de uma questão. Celina terá esse mesmo DNA. Vamos mergulhar nos principais assuntos e apresentar dados novos e pontos de vista diversos — afirma a editora executiva Maria Fernanda Delmas.

Compromisso também na redação

Para O GLOBO, Celina vai além da proposta de uma plataforma de conteúdo sobre mulheres, gênero e diversidade. O jornal tem o compromisso de formar equipes cada vez mais plurais, refletindo a composição da sociedade brasileira.

Hoje, na redação integrada que produz reportagens para os jornais O GLOBO e Extra e para a revista Época, há 409 profissionais, sendo 237 homens (58%) e 172 mulheres (42%). Já em relação a jornalistas com cargos de chefia, o equilíbrio é absoluto: são 65 mulheres e homens. A redação vem trabalhando para ter maior diversidade em geral. Também na seleção do grupo de estagiários que se juntaram à redação em 2019, a diversidade de gênero e raça foi um dos critérios de escolha.

Outro foco do GLOBO é com a pluralidade de fontes ouvidas em suas reportagens. Ainda há um desequilíbrio entre homens e mulheres, mas a relação vem melhorando ao longo dos anos. Além disso, os repórteres e editores vêm sendo incentivados a buscar mais especialistas mulheres para seus textos e vídeos.

Em uma amostra pesquisada no Acervo do jornal, em 1969, as páginas do GLOBO tiveram 258 entrevistados num período de sete dias, entre 25 de fevereiro e 3 de março. Desses, 234 foram homens e 24, mulheres. Em 2019, considerando os mesmos dias, foram 433 homens e 212 mulheres. Nessa amostra, o percentual de personagens mulheres com voz no GLOBO saltou, portanto, de 9% para 33% em 50 anos.

Cenário de desigualdade no país

Os números mostram por que é tão importante discutir a situação das mulheres. Uma brasileira é estuprada a cada dez minutos. Somos o quinto país do mundo que mais mata mulheres, segundo a ONU. Além da violência, levantamento do IBGE mostra que o salário médio pago às mulheres ainda representa 79,5% do rendimento recebido pelos homens.

Em meio a isso tudo, as mulheres continuam com pouca voz em fóruns importantes. Apesar de representarem 51,6% da população brasileira, são apenas 15% nas duas Casas Legislativas federais, por exemplo.

No Brasil, o ambiente para as mulheres ainda é desafiador. No Ranking Global de Igualdade de Gênero, do Fórum Econômico Mundial, estamos em 95° — muito mais perto do último país, o Iêmen (149º), do que do primeiro, a Islândia. E o Brasil cai desde 2011.

— Vamos debater a situação das mulheres, discutir o que precisa evoluir, e também mostrar boas propostas para a igualdade de gênero — explica Delmas.

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