Entenda a "treta" de Moleskine nas redes sociais

abre moleskine

Gillette, Bombril, Cotonete, Post it... algo parece familiar entre estas marcas? Todas são sinônimos de categoria, ou seja, aqueles nomes usados para nos referirmos a produtos pioneiros que se tornaram referência em suas classes. Falamos, usamos e escrevemos sobre estes produtos o tempo todo sem problema algum, certo? Na teoria sim, o imbróglio começaria caso estes mesmos termos ou produtos fossem usados com ou para fins comerciais.

Já a prática pode mostrar um “buraco” entre o que se prega e o que se faz. Essa semana a Moleskine empacou neste antagonismo. Marina Barbieri, idealizadora do blog “Deu ruim”, fundado em 2014 e que trata sobre comportamento e relacionamento, recebeu um email de uma representante da marca no Brasil, pedindo que o termo usado em dos textos do site fosse trocado.

Marina relatou o fato em sua conta no Twitter e no Facebook e logo o ocorrido ganhou atenção e seu desenrolar mostra que, ainda que as marcas tenham conseguido construir impérios, para criar e navegar na própria crise, basta um deslize. E este deslize pode indicar fissuras um pouco maiores. 

De acordo com Marina, o primeiro e-mail veio no dia seguinte à publicação do texto no blog. Após ele, a própria marca comentou na publicação dela insistindo no erro.

Então na madrugada deste dia ela também relatou ter recebido o pedido de desculpa, o que para ela veio graças a marca ter visto a “a repercussão do caso, e resolveram se desculpar na esperança de conseguirem abafar o caso”.

Nesta altura a internet já estava em polvorosa com o tema (chegou a ocupar as primeiras posições do TT no Twitter), da forma que mais sabe lidar com os diferentes assuntos corriqueiros e atuais: com aquela pitada de bom-humor leve e ácido.

Entramos em contato com a Moleskine que alegou “erro por parte da prestadora de serviço”. A marca indicou que “esse e-mail nunca deveria ter sido enviado a ela [Marina], uma vez que ele existe para ser usado em outras situações, bem diferentes”. A empresa ainda expôs que já entrou em contato com Barbieri para explicar que não se tratava do posicionamento da marca e sim da falha de uma de suas colaboradoras, que enviou o e-mail equivocadamente (ele deveria ser enviado apenas para empresas que se apropriam do nome da marca para uso comercial).

Ana Simões, bussiness director da marca, explicou o que aconteceu: “Enviamos erronêamente o contato de proteção de marca para alguns veículos e produtores de conteúdo, inclusive à Marina, e gerou esse mal-entendido”. Simões esclareceu que a marca tem “total consciência que neste caso não se aplica nenhuma das duas situações relacionadas a uso comercial” e que a marca espera que “Marina compreenda também o que ocorreu para que tudo fique claro. Todas as comunicações da marca no Brasil são documentos direcionados para nós pela matriz, que nós devemos usar como um padrão e por isso não têm um cunho dirigido e pessoal”. 

Por se tratar de uma marca registrada no INPI e que não pode ser usada comercialmente como categoria de produto, Simões relata que a “única preocupação é proteger a marca comercialmente, como qualquer empresa faz”. Neste sentido, a abordagem da empresa para clientes e veículos que usam a marca dessa maneira é “enviando notificações simples, apenas como uma maneira de conscientizar sobre o uso correto da marca e não causar confusão aos clientes e fãs”.

Ao ser perguntada se “pode ou não pode se usar o termo “moleskine” em textos”, Ana argumentou que “Pode, com certeza! Queremos que as pessoas sempre nos falem o que acham do nossos produtos, mesmo se a opinião não seja positiva”, o que na sua visão é a oportunidade de “estar sempre evoluindo e melhorando”. Além disso, Ana salienta que “em termos legais” é possível proteger a marca nos casos de uso comercial, mas “nenhuma marca pode impedir que alguém a cite livremente. Estamos cientes disso”.

Apesar disso, Marina conta que viu um rapaz que passou pela mesma situação no final do ano passado, com a própria Moleskine”, o que para ela indica que não é “apenas um erro aleatório como eles argumentaram no pedido de desculpas”. Tentamos contato com o usuário que alega ter acontecido o mesmo, mas não obtivemos resposta.

Outros usuários comentaram com Marina ocorrências parecidas: “Ouvi também outros dois relatos similares com a Gillette e com a Posca” (aquela marca de caneta). O que me leva a pergunta: O que está acontecendo com as marcas?”

 

 

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