A prefeitura que dá exemplo nas mídias sociais

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Como a administração de Curitiba virou case no universo social media?

"Por que a prefeitura da minha cidade não tem um social media tão legal quanto o de Curitiba?", pergunta uma internauta num dos posts da entidade. Quando o assunto é case de mídia social, Oreo, Ponto Frio, NetFlix, entre outros, sempre surgem na conversa. Mas uma instituição pública vem roubando a cena no universo social media.

Formada por publicitários e jornalistas, a equipe de mídias sociais da Prefeitura de Curitiba é composta por seis profissionais. Todos moradores da cidade e oriundos do mercado privado. Mais da metade já trabalhou em agência com foco em internet. Quem conta como funcionam as atividades é Marcos Giovanella, diretor de mídias sociais e internet da Prefeitura.

Além do Facebook, Twitter, Google+, Instagram e Youtube também fazem parte do trabalho da instituição nas redes.

Com posts bem humorados e engajamento assustador — dos 35 mil fãs, 29 mil estão "falando sobre isso" –, a prefeitura mescla conteúdo engraçado com posts sérios. Nenhum comentário ou reclamação passa batido.

Segundo Giovanella, um dos segredos é utilizar uma linguagem mais humana, além de aproveitar a cultura da cidade e suas particularidades para produzir uma comunicação menos sisuda. "Dentro dessas questões criamos as peças e posts de uma maneira mais livre, mas sempre com o compromisso de ter um propósito”, explica.

Uma das vedetes da equipe é o storytelling. "Ou seja, se formos mais descontraídos em um post de determinado tema, previsão do tempo, por exemplo, outrora usamos esse mesmo tema para abordar serviços ", elucida o diretor.

Giovanella lembra que trabalhar com assuntos que fazem sucesso na web é algo que sempre acontece nos perfis. "Mas sempre contextualizando com o jeito de ser curitibano", observa.

Exemplos de posts

Quando o preço exorbitante do Playstation 4 foi notícia no Brasil, a Prefeitura aproveitou para dar dicas de tudo que era possível fazer com menos de R$ 4 mil na cidade.

Quando a Marisa errou a grafia de uma camiseta e virou piada na rede, a instituição curitibana resolveu divulgar um show de uma “rapper” de verdade que, coincidentemente, iria se apresentar na cidade num evento da prefeitura.

Até uma plaquinha ao estilo “XX DIAS SEM ACIDENTES” foi “colocada” no Facebook para revelar há quantos dias a cidade, conhecida pelo clima frio, exibia o sol.

Os problemas

Mas é claro, estamos falando de uma prefeitura e, ao contrário de uma marca, o "produto" danificado mexe consideravelmente com a qualidade de vida de um morador. Pode ser um buraco na rua, um ônibus atrasado, etc. O diretor explica como a equipe trabalha para ajudar as pessoas.

"Hoje trabalhamos com o conceito de SAC 2.0 nos nossos canais. Se o cidadão nos questionar sobre essas insatisfações, nós procuramos responder da melhor forma possível no menor tempo possível, respeitando as características no meio internet que nos exige mais agilidade", explica.

Num desses episódios, um carro da prefeitura foi visto perambulando uma região conhecida pela incidência de garotas de programa. No Facebook, o órgão esclareceu a história.

Transparência e foco

Além disso, ressalta Giovanella, a instituição procura mostrar que a gestão é muito transparente, portanto, não há exclusão de nenhum tipo de comentário, com exceção dos preconceituosos, difamatórios, propagandas, ofensivos e etc. "Mas em geral, se temos algum problema, procuramos nos posicionar e responder ao cidadão. Isso dá credibilidade ao canal e nos ajuda a engajar as pessoas", analisa.

Se você acha que o conteúdo é tão bom que acaba atraindo pessoas de fora da cidade, interferindo no objetivo maior que é o de ajudar os curitibanos, pense de novo. "Mais de 90% da nossa base é de Curitiba e Região Metropolitana. Fora daqui, as cidades que  aparecem com um número expressivo de seguidores são: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília respectivamente", revela o diretor.

Para Giovanella, o conceito de que número de seguidores é o medidor mais confiável de sucesso está um pouco ultrapassado e a marca que tem essa métrica está equivocada. "Primeiro que não podemos olhar uma métrica isoladamente e segundo, que só o número de seguidores é muito pouco para  mostrar se você tem ou não uma boa presença online".

No caso da prefeitura, outras métricas são mais importantes, como por exemplo, de onde é a base dos fãs, o quanto ela está engajada com o órgão e qual o perfil do público.

"A timeline também nos gera muitos insights, ou seja, aos poucos vamos aprendendo mais sobre o que dá certo ou não na nossa linha editorial", diz.

Sobre as marcas prediletas dos profissionais da equipe da prefeitura, o diretor revela que a preferência fica em marcas que geram relacionamento com os seus consumidores, que criam estilos de vida. "Gostamos muito da Redbull, KitKat, Coca-Cola, Oreo entre outras. Pegamos também referências com pessoas que conhecemos no mercado e sabemos que sempre postam coisas interessantes e relevantes como a Ana Paula Passarelli, Bia Granja e o Cris Dias", conta.

Em suma, o trabalho da Prefeitura de Curitiba demonstra que social media não é sobre quantidade de fãs, mas sim sobre trabalho integrado e veloz. 

Por Leonardo Araujo

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