Velhos novos tempos: #ImaginaNaCopadaRússia

“Não há mais espaço para formulinhas e sensações de conforto”

Há duas semanas, estive nos escritórios do Google e do Youtube em Nova York. O primeiro fica num prédio enorme em frente ao Chelsea Market. O segundo, dentro do próprio mercado, em cima da High Line.

Ícone dos novos tempos e das mudanças intensas e frequentes, o Google tem de tudo em suas instalações. Área de recreação com mesas de jogos e videogame, uma enorme cafeteria com cara daqueles restaurantes moderninhos que visitamos por lazer, um espaço com peças de Lego para os funcionários exercerem a criatividade, além de mesas estilosas onde os profissionais se sentam para trabalhar com seus laptops. Tudo aquilo que eu já tinha visto… no Google.

Soa até estranho falar, mas esta, que é uma das sedes de uma das empresas mais inovadoras e representativas dos novos tempos, me pareceu antiga. Tive a sensação de que ela já foi legal, mas não tem mais nada de inovadora.

Essa ideia de que tudo envelhece com cada vez mais rapidez, nós já cansamos de comentar e estudar. “Nos dias de hoje tudo muda rápido” é uma expressão velha, já que esse mundo volátil vem se comportando assim há mais de 10 anos.

Em tempos em que o MSN já morreu há séculos e em que o Orkut finalmente teve seu enterro anunciado – quem ainda usava? – não chega a ser estranho pensar que o Google me pareceu antigo. Pense bem: até o Google Glass, que nem lançado mundialmente já foi, é uma notícia velha.

Ultimamente tenho usado o aplicativo TimeHop, que mostra minhas publicações antigas – de até 3 anos atrás! – nas redes sociais. Três anos não são nada na vida de quem completou 34 recentemente, mas são uma eternidade no mundo da comunicação. Basta ver o que você postava na época.

Faça um simples exercício de comparação entre as peças premiadas em Cannes em 2011 com as de 2014. Há uma evolução enorme entre as ideias – aliás, até essa palavra mudou e nem tem mais acento.

Repare também como foi sua experiência ao acompanhar os jogos da Copa de 2010 com a deste ano: completamente diferente. A 2a tela serviu, agora, para amenizar as duas derrotas humilhantes da seleção brasileira, tornando os memes e piadas instantâneas numa verdadeira terapia em massa. Imagina como será na Copa da Rússia. Ou, antes, nas Olimpíadas do Rio, daqui a apenas dois anos.

Com qual frequência você usa o Twitter? Ainda tem o Foursquare no celular? Ano passado você assinava Netflix? Suas músicas estão no iPod, no iPhone, no iCloud ou no Spotify? Ainda viaja com máquina fotográfica? Vê os vídeos do “Porta dos Fundos” com a mesma frequência que via em janeiro?

Nós já sabemos e estamos enjoados de ouvir: nosso desafio, como comunicadores, é acompanhar essa evolução no mesmo ritmo em que ela acontece, arrumando buracos em nossas agendas cada vez mais lotadas. Não há mais espaço para formulinhas e sensações de conforto, porque tudo é novo e velho em poucos segundos. Inclusive nós mesmos.

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